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quinta-feira, 2 de abril de 2015

É o meu melhor desejo...

 Eu amo meus amigos. De verdade. Sinto saudades, sofro junto, tenho ciúmes (mas não assumo) e adoro estar com eles. 
Considerando que sou quem há mais tempo mantém um relacionamento estável dentre a grande maioria dos casais que conheço, posso dizer que muito do meu casamento se deve às amizades que construímos e mantemos durante todo esse tempo. 
Já passei por poucas e boas para chegar até aqui e digo que não foi fácil. Mas exatamente essas dificuldades do passado são o que me mantém firme quando a coisa não vai bem. E os amigos, são tudo, quando mais precisamos deles. 
Tenho uma dívida de gratidão com um punhado de pessoas. Mas especialmente hoje, quero agradecer duas muito especiais pela amizade incondicional. Ao Guilherme e Laura. 

E digo hoje, porque desde o casamento deles, devia um texto com meu desejo de felicidades para o casal. Fato é que cada vez que tentava escrever, nada saía. Não conseguia dimensionar o tanto que lhes quero bem em palavras. Existem alguns sentimentos que precisam ser vividos para que se possa precisar sua real importância e significado. Eu sempre quis ser pai. Nunca me pairou qualquer mínima dúvida sobre isso. E confesso que minha realização no plano sentimental no que atine à felicidade veio depois do Bernardo e da Martina. Ser pai é definitivamente a melhor coisa do mundo. 

Acordo com o homem aranha todos os dias, e vou dormir com a bela adormecida. Chego em casa e a Martina (que recém aprendeu a caminhar), vem cambaleando de um lado pro outro me dar um abraço. E mesmo que ela venha em zig-zag, ela sabe aonde quer chegar. E não importa o que esteja na frente, ela chega... Um pedaço de papel vira um céu estrelado e o porta-copos uma estrela ninja. "Na concha vive uma pélula" né papai? E assim por diante...  É como se a cada minuto a gente fosse metralhado com fofurices. 
Redesenha-se, quando se é pai, a definição da palavra amor. 

Então meus queridos amigos, saber da gravidez de vocês realizou meu desejo mais profundo. Que vocês possam experimentar esse sentimento que hoje eu tenho, como o de olhar para a foto acima e sentir vontade de chorar de amor. Receber a notícia, me faz lembrar de tudo que eu vivi e sinto pelos meus filhos. É impossível não se emocionar. Sobretudo porque, pelo que fazem pelos meus, tenho certeza de que serão excepcionais pais! Que sorte tem essa menina...

Gracias pela amizade e sejam bem-vindos ao clube dos "só quem tem sabe". Vocês merecem muito essa felicidade! 

Mega beijo, S.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Nada vai ser como antes...

Definitivamente, ter dois filhos não é a mesma coisa que ter um. A explicação, por mais clara que pareça ser é complexa. Quando se tem o primeiro, não há um anterior. Primeiro é primeiro e isso faz toda diferença do mundo. Especialmente para quem resolve ter o segundo logo em seguida. 

Eu lembro que minha irmã mais velha teve dois com uma diferença de um ano e alguns dias entre eles. Foi complicado, bem complicado. Isso porque os dois ainda eram muito dependentes dos pais então não havia descanso. Um dormia, outro acordava, um tinha fome, outro tinha que arrotar, dois no banho, dois pra vestir e assim por diante. Há um amigo meu que disse: um filho é um. Dois são quatro! 

Lembro que minha primeira preocupação sobre ter dois era se conseguiria dividir o amor e a atenção entre eles. Como disse a nega, não se trata de divisão, mas adição. Óbvio, não vou pegar o amor que sinto pelo Bernardo e passar metade para a pequena.... Pensar desta forma faz toda diferença do mundo. A gente se cobra muito tentando agir da mesma forma com os dois filhos. Acabamos por esquecer que o tempo é linear e o que passou existiu numa determinada conjectura de espaço e de tempo que jamais se repetirão. Tentar agir da mesma forma entre os filhos, no meu modo de pensar, é desrespeitar a individualidade de cada um. Nós já não somos os mesmos desde a primeira gravidez. Aprendemos muito com a experiência que vivemos e não podemos ignorar isso. Pelo contrário, temos que pegar os atalhos, despejar o que não serve e tirar o máximo proveito das coisas boas. Evidente que os princípios serão os mesmos e os valores a serem repassados igualmente. Mas a receita fatalmente vai sofrer alterações.

Não se culpe pelo processo ser diferente do que foi o primeiro. Dia desses a nega estava chateada porque não estava curtindo essa gravidez como a primeira. Bueno, evidente que você não vai ter  o mesmo processo. Lembre-se: antes de ter o primeiro, você não tinha o primeiro. O que importa no fundo é que não falte amor, carinho, respeito e cuidado com o novo pequeno. E isso a Martina vai ter de sobra. O resto é só o resto. As circunstâncias da vida nunca serão as mesmas, mas assim como na primeira vez tudo se ajeita. Você vai conseguir! 

Estamos aos poucos introduzindo a idéia da "mana" no Bernardo. Seguido falamos com a barriga, fazemos carinho e beijamos ela. O problema é que quando pergunto para ele aonde está a Martina, ele aponta para a própria barriga! Uma forma que encontramos de lidar, foi começar a diferenciar os meninos das meninas nas histórias dos livros. As gurias nós chamamos de "mana" para que ele comece a diferenciar os personagens da sua vida. Assim, quando eles brigarem pelos brinquedos, poderemos dizer, isso é da mana ou isso é do mano... Até agora tem funcionado bem, à exceção de uma boneca que ele insiste em ter como se sua fosse.

Vou ficando por aqui na certeza de que muita coisa boa ainda esta por vir.

Super Beijo, 

Paizão. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Jardim de Rosas...

Segundo o que diz o dicionário on-lie Priberam, perfeição significa:
perfeição 

s. f.
1. Acto de acabar ou aperfeiçoar alguma coisa.
2. O grau de excelência, bondade ou beleza a que pode chegar alguma coisa.

Depois de algum tempo, entre o balanço louco do sim e do não a pergunta deve ser enfrentada de frente. Ter ou não mais um filho? São vários os prós e contras, seja qual for a decisão do casal. Filho único, significa concentrar todas as forças e energias num ponto. Há quem sujeite a questão sob a ótica financeira, argumentando no fato de poder prover para o filho tudo de melhor que se é possível  dar. Outros, no cansaço de ter que passar novamente por todo processo de cuidado exigido na primeira fase de vida do pequeno. Não podemos esquecer que a carreira dos pais também conta muito na hora de tomar a decisão. 

A nega está bem no trabalho. Crescendo cada vez mais, com viagem marcada novamente e com possibilidade de conquistar novos destinos por mais tempo. Eu, no mesmo sentido, cresço no escritório com clientes que exigem cada vez mais. Ambos chegamos a conclusão de que não é a hora ainda. Afinal de contas, recém agora estamos conseguindo ter nossa vida como casal de volta depois de um longo período na clausura. 

Pensando nisso, com o Bernardo mais crescido, já podemos deixá-lo para posar na casa da vó e curtir um jantar romântico vez que outra. Dia desses, um casal de amigos terminou de reformar o apartamento deles e resolveu fazer um "Sambão de casa nova". Contrataram uma banda de samba e encomendaram muito chop para receber a galera. Bom, Bernardinho foi para casa da abuelita e nós rumamos para a festa. Estava demais!!! Sair sem ter que se preocupar em acordar de madrugada para trocar fraldas e dar mama depois de um ano e meio nesse procedimento diário, foi realmente bom. Evidente que aqui não estou reclamando nem arrependido de absolutamente nada. Mas temos que pensar que  para os filhos é importante também poder ver os pais se curtindo e namorando depois da paternidade.  Afinal, são os exemplos do que ele vê dentro de casa que estarão consigo no futuro. 
Depois do samba, resolvemos conhecer um lugar gerenciado por outro amigo nosso. Chegando lá, depois de beber muita cerveja, partimos eu e a nega para a Vodka. Descompromissados com o horário, curtimos os amigos, nos divertimos e bebemos mais de que deveríamos. E quando chegamos em casa, a festa continuou... 

Foi estranho dormir sem o filho em casa. Condicionamos nosso sono a permanecer alerta em razão do que pode acontecer, depois de um ano e meio de convivência, por certo que não seria em uma noite que o sono voltaria a ser o mesmo de antes. Uma mistura de saudade e culpa fez com que cedo no dia seguinte já tivéssemos buscado o rebento para junto de nós. 

Bom, depois de assimilar a idéia de filho único, nada parecia mais certo do que tentar resgatar aqueles antigos sentimentos suspensos por causa da gestação do Bernardo. E assim, foi. Karina começou a viajar novamente e eu comecei a rever os amigos em encontros informais. 

Lembro como se fosse hoje que a primeira desconfiança de que estávamos grávidos começou quando a nega foi para Montevideo. Casualmente, esse ano ela tinha outra viagem marcada para o mesmo destino e na mesma época da anterior. E não é que ela me liga de lá dizendo que não estava passando bem e que queria fazer uns exames quando voltasse? Bom, eu que recém tinha trocado de carro comecei a pensar nas possibilidades de desfazer o negócio. Só que me faltava essa guria pegar barriga de novo!!! Hahahaha. 
Na verdade foi feita uma biopsia e descobrimos que a Karina estava com um cisto hemorrágico em um dos ovários. Apesar de ser bem comum e se tratar de um quadro clínico simples, tomamos um susto. Seja como for, nunca é bom saber que apareceu uma mancha escura em qualquer exame que se faça... 

Depois de algumas semanas ela atrasou a menstruação e começou a sentir dores abdominais. Novamente voltamos a ficar preocupados com o quadro e ela voltou ao médico. Saiu de lá com a receita para fazer um exame de gravidez. WHAT???? Como assim? O cisto tinha virado um feto??? Ou será que era uma espécie de Alien? A gente não entendia mais nada! Pavor e pânico. Ficamos atônitos. A minha calma só veio depois de ouvir da boca da nega que ela, em que pese não tivesse feito o exame, tinha certeza de que não estava grávida. Bom, se a criatura que é quem vai gerir me diz que não se sente grávida, quem sou eu para discordar??? Não sei porque nessa hora lembrei do que um amigo meu sempre me dizia na época da faculdade: Cara, nunca confie num ser que sangra a vida toda uma vez por mês e nunca morre... Dito e feito: ESTAMOS GRÁVIDOS NOVAMENTE! 

É incrível o que muda na gente numa hora para outra. Não foi a mesma coisa de quando descobrimos o Bernardo, nem teria como já que não tínhamos nenhum filho antes. Mas dadas as circunstâncias, todo nosso planejamento de não termos o segundo, caiu por terra. Sim, porque não queria nem por um segundo que meu filho se sentisse rejeitado. Afinal de contas, se é para ter, que seja na mesma intensidade de antes, com toda nossa atenção e carinho voltados para a gestação. No entanto, até que a nega conseguisse falar para a chefe dela que havia "pego barriga" de novo foram semanas bem tensas. Boa parte do que dá significado à vida da Karina, passa pelo seu trabalho. É uma dedicação realmente impressionante, algo feito de corpo e alma, ao ponto de muitas vezes, perder a esposa para o sono mesmo antes de começar a novela das nove. Assim, ela somente estaria bem consigo mesma, depois de falar. E ela, como grande mulher que é, falou.

Fato é que a vida tem mais a nos alegrar do que entristecer. E tudo, absolutamente tudo esta tomando seu rumo mais uma vez. De susto ou não, na hora errada ou certa hoje temos a certeza de que cada coisa está em seu devido lugar. 

E nós que pensávamos ter atingido a perfeição, não sabíamos que ainda havia algo melhor por vir... E veio! Vai atender pelo nome de Martina. E eu, desde já, tanto e sempre, sou só amor. A princesa do papai está a caminho e meu reinado ganha um novo jardim. Desta vez de rosas... 

Este foi o melhor dia dos pais do mundo! 

Um beijo, Paizão. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

... o resto dos dias...

... e de repente estávamos sós. Logo que Bernardo foi dormir, comecei a notar as diferenças de não se ter uma mulher em casa. Depois de zanzar e brincar muito pela casa, chegou a hora de dormir. Fazer ele encontrar Morfeo nunca tinha sido problema para mim. De fato já estava bem acostumado. Mas a dúvida era: colocar ele no berço do quarto dele ou leva-lo para dormir comigo na cama? Evidente que a vontade era de dormir  junto, mas seria isto o melhor? E se ele acostumasse mal(?) e depois não quisesse mais voltar a dormir na sua cama? 
Bueno, juro que tentei ser o mais racional possível, mas olhar essa coisinha aí do lado, dormindo sozinho no quarto dele, foi demais para mim... Afinal, uma das mais doces lembranças que tenho era a de ir para cama dos meus pais quando pequeno. Porque privá-lo disso?? Mas eu não contava com uma coisa: quando ele dormia conosco, no meio da madrugada sempre acordava para mamar. Dito e feito, ele acordou na madrugada e foi reto procurar sua fonte de alimento. Literalmente deu com os beiços no travesseiro da Karina. Bom, daí foi um tal de "mamama" pra lá, "mamama" pra cá e eu sem saber se era de "Mamar" ou de "Mamãe". Mas considerando que depois de uma mamadeira de iogurte ele voltou a dormir, fico com a primeira opção. 
...
Acordamos (na verdade ele), as 07:30hr da manha. Como a Karina tinha feito uma aposta comigo de que nesses 08 dias fora, o Bernardo só iria tomar banho dois dias depois que ela fosse embora, dei logo um jeito de ganhar a aposta e fui banhar a figura. Enchi a banheira dentro do box e coloquei o pintucho dentro... Bom, ele tomou banho e me deu um banho, tanto que desisti da idéia e entrei logo de vez no chuveiro com ele. 
... 
Eu podia dizer que nos primeiros dois dias a situação foi complicada. Entretanto, acho que esta seria uma leitura equivocada do que estava acontecendo. Prefiro acreditar que no inicio estava me adaptando a nova função de "mãe" (o que é impossível, mas...). E digo isso porque à medida em que realizava as tarefas que antes eram exercidas pela nega, o Bernardo reagia diferente comigo por igual. Acorda-lo, dar lhe café da manhã, vesti-lo para escola, arrumar a mochila e etc, são tarefas que por mais chatas que pareçam, acabam nos aproximando muito de nossos filhos. Cansa? Evidente que sim. Mas faria tudo de novo sem titubear um segundo, porque a gratificação que se sente é indescritível. Enquanto isso, Karina me mandava as fotos da nevasca em Londres... #nemsentiinveja
Mas foi tudo tão bem que lá pelo quarto dia, quando ele sentia sono, nem precisava sair correndo atrás dele. O pintucho vinha por conta procurar meu colo. Se encaixava no meu peito deitado no sofá da sala e assistia TV até adormecer. 
...
Para quem não sabe, perdi minha mãe uma semana antes de saber que estava grávido. A Dona Maria Elaine, era insaciável no cuidado dos filhos e nesse período me fez muita falta. Por umas três vezes, estranhava o fato de que ela ainda não tinha me ligado no dia perguntando se eu não precisava de nada. Se viva fosse, teria se oferecido para posar aqui em casa todos os dias até a Karina voltar... 

Outra sensação estranha que aconteceu, foi perceber como implicitamente o casal confia um no outro acerca dos cuidados com o filho. Explico: quando a Karina estava em casa, não tinha aquela preocupação de ir até o berço saber se estava tudo bem ao primeiro som estranho que ouvisse. Durante este período, cheguei a ir 07 vezes na mesma noite dar uma checada no carinha. Óbvio que a única coisa que mudava era a posição que ele estava... Mas o senso de responsabilidade, de que nada podia acontecer de ruim efetivamente aumentou. Sequer aquela cerveja do final de semana eu tomei... Vai que dormisse e não ouvisse o choro dele??? 

Aliás pensando nisso, comprei de um amigo um alarme muito legal. Depois de tanto saber de pais que esquecem seus filhos nos carros quando vão trabalhar ou ir ao supermercado, resolvi adotar esse equipamento. É muito útil. Vem uma pulseira que é colocada no pulso do pequeno ou na roupa e um dispositivo que vai no chaveiro da casa ou do carro. Ele aciona um som e vibra se você se distância tantos metros e também serve caso o pequeno se aproxime (para pais que possuem piscina em casa). É um produto muito bom e útil. Caso haja interesse de alguém, eu passo o contato do meu amigo! Vale a pena o investimento.
...
Muitas pessoas vinham em minha direção e diziam: "Agora tu vai aprender a dar valor para a Karina" e coisas desse tipo. Bom, eu sempre dei valor. Aliás, se teve alguém que incentivou a viagem foi eu. A nega, orgulhosamente começou como estagiária na TOK, sem a ajuda de ninguém. Única e exclusivamente com mérito próprio. E lá foi crescendo na proporção do seu talento e hoje conseguiu realizar esse sonho. Penso que ter ciúmes  ou inveja nessas situações, nada mais é do que manifestar nossa insegurança ou incapacidade de atingirmos por conta própria, o mesmo estágio profissional e pessoal. Assim, desejo que a Karina continue crescendo, viajando, conhecendo novas pessoas e assim por diante. Mas que depois de tudo isso, ela ainda sinta vontade de voltar para casa. Como de fato, foi o que aconteceu! 
Se aprendi a dar valor para a mãe do meu filho, tenham certeza que ela aprendeu também a valorizar o cara que ficou cuidando do Bernardo nesses dias enquanto ela, buscava seu crescimento profissional do outro lado do oceano. Quem ganhou mais?? A resposta é evidente: O Bernardo.

Nega voltou! Na mala, milhares de presentes, muitas histórias para contar e a certeza de que não há lugar como nosso lar... 

Fico por aqui, 
Um Beijo, Paizão.

P.S. Esse post vai dedicado para a Vanessa Q. que carinhosamente me cobrou a continuidade da epopéia! 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

6 Meses de Vida e um pai retardado...

Devo ser meio retardado. Não consigo achar outra explicação para o que tem acontecido comigo ultimamente. Além de uma sensibilidade, digamos, mais apurada, penso que estou (in)voluindo. Explico: Conforme já manifestado no blog, pela parte da manhã o Bernardo fica comigo (ainda não sei se não sou eu quem fica com ele...). No meu tempo de criança havia apenas dois canais que passavam desenho. Hoje existem 10! Mas um deles é especial. Isso porque, todo santo dia, as 09:30 horas, consigo ver "Chaves" de novo! 

Dia desses, estava passando um episódio que nunca havia assistido. Normalmente coloco o B. no tapetinho com móbile e deixo ele se deliciar com os penduricalhos. O que não percebi é que o pequeno já consegue rolar de um lado pra outro a hora que quer.. quando me dei conta de que tinha que cuidar dele ao invés de ver Chaves, o ordinário já tinha ido rolando até a cozinha!!!! Depois de um tempo de adaptação, eu e o B. já temos nosso esquema. Acordamos por volta das 8:30 horas e ficamos na função de brincar, trocar fralda e roupa. Precisamente as 09:30 horas, amarro ele na cadeirinha e assistimos juntos o "Chavo". Arrisco dizer que me divirto mais que ele... Como se não bastasse, depois do original, ainda passa o desenho animado... mas então já é hora do pai ir pro banho e deixar o filho para os cuidados da avó. Afinal, não se vive só de amor... infelizmente. A Karina disse uma frase perfeita esses dias quando conversávamos sobre esse assunto: Somos pais mais velhos que nossos pais, mas somos muito mais joviais. Ela está certa! Com a minha idade meus velhos já tinham 4 filhos e levavam a vida de um modo bem diferente do que eu costumo levar. Impossível imaginar que naquele tempo, o pai abriria mão da sua manhã para se dedicar ao filho. Evidente que não falo isso com ar de julgamento algum. Eram tempos diferentes e outras circunstâncias.

Fato é que o Bernardo acabou por renovar muita coisa que andava esquecida por aí, ou que se perdeu no caminho vida. Tirando o fato de ser um programa infantil, as piadas do Chaves e todo o contexto em que ele vive, me fazem lembrar muito a minha infância. Não pelo cenário, mas pelos amigos e pela inocência. Até meus 12 anos de idade, vivia em Estrela, interior do Rio Grande do Sul. Estudava em colégio de Freiras que dizem era de uma metodologia rígida, coisa que não me lembro já que perdia muito tempo brincando... Recordo que meu melhor amigo morava na esquina do outro lado da rua e eu no meio da quadra. Para que eu chegasse até sua casa, ou eu passava por debaixo de uma raiz gigante de uma árvore ou pulava o muro do colégio que dava na parte de trás da sua casa. Tomava banho de rio, comia cana de açúcar e furtava argila da olaria para brincar. Tinha uma cadela chamada Polly-Ana, uma gata de nome Sebastiana e muitas histórias e cicatrizes para contar...

Seja como for, ter filhos é relembrar a própria vida e imaginar como será a deles. Sei que   o Bernardo jamais terá a infância que eu tive, mas gostaria que ele preservasse algumas coisas que soube guardar da minha. Bons amigos, boa educação e a família sempre junto são com certeza o melhor conselho que poderia lhe dar. 

O filhote completou 6 meses de vida. É uma criança muito saudável e esperta. As aulas de natação o ajudam a ter um desenvolvimento acima da média. Coordena os movimentos das mãos com perfeição, mas não tem jeito de pegar mamadeira. Come de tudo! Inclusive beterraba (blartght)! Dorme bem durante a noite, em que pese depois que a nega voltou a trabalhar ele mama as 04:00 da madrugada. Disse-me a Pediatra (depois da minha experiência com essa médica, só escrevo pediatra com letra maiúscula, vide post anterior), que isso se deve a ansiedade do pequeno em perceber que logo logo a mãe vai sair para trabalhar... Não sei porque, afinal ele tem o papai só pra ele, mas tudo bem. Tenho que concordar que mãe é mãe e pai é quem cria.

Precisamente hoje, completo 200 dias com meu filho. Uma das maiores aflições que tenho é não conseguir transmitir para meus amigos o quão bom é ser pai. Queria que eles por um dia, tivessem a mesma experiência que eu tenho. De acordar todos os dias com o sorriso banguela daquela criatura que não tem motivo algum outro para sorrir, que não por simplesmente gostar de ti. Sem interesse algum, sem nada em troca, sem promessa de nada. Apenas sorrir! Fazem 200 dias que não vivo um dia comum! Todos tem um "quê" de especial. Um "B", de Bernardo. Mas sei que um dia, eles hão de me dar razão... 

Vou ficando por aqui, 

um beijão, Paizão.

terça-feira, 17 de abril de 2012

3 meses D.N.


Inacreditáveis três meses depois do nascimento. Rápidos demais eu diria. Seguido quando nos perguntam qual a idade do Bernardo, as pessoas dizem que têm saudades deste tempo. Quando podiam controlar os filhos e a maior preocupação era apenas trocar a fralda e amamentar. Com razão... Sabe-se que a língua portuguesa é uma das mais complexas que existe. Mesmo assim, o velho clichê de que faltam palavras para descrever as novas emoções, aplica-se mais uma vez. 

A Teoria da Relatividade, por mais que tentem apontá-la como falha, segue firme aqui em casa. Tanta coisa mudou, muita coisa passou e há um oceano de coisas para serem vistas, experimentadas e vividas que a impressão que tenho, como disse a nega, é de que o filho sempre existiu em nossas vidas. Já não consigo me imaginar sem ele. O tempo quando estamos juntos ganha espaço: parece curto no presente, longo no passado e distante no futuro. Levo comigo a toda hora, o primeiro sorriso que ele me deu. A primeira vez que fui reconhecido e agraciado com um riso banguela que levarei para sempre na memória.  Isso e tantas outras coisas que surgem a cada dia, renovam essa emocionante aventura e fazem dela a melhor coisa que já me aconteceu na vida. E como todo mês fizemos uma festinha, não seria diferente desta vez...


O Bernardo esta um mês e meio à frente nasua evolução. E não pense que sou eu quem esta dizendo. Isto partiu da última consulta na pediatra. Disse ela que ele será um guri bem esperto. De fato, percebo que já reconhece pessoas, pega seus brinquedos com a mão e coloca o bico de volta na boca quando cai. O sono dura cerca de 6/7 horas por noite, segue sem cólicas e à exceção de estar com fome, não chora por mais nada. Já esta bem fimezinho e controlando cada vez mais os movimentos. O que impressiona nesse processo todo, é que as transformações acontecem quando menos se espera. Dia desses, estava fazendo palhaçadas e ele se sacudia para rir. Numa dessas, ele viu uma coisa passando na frente dele e ficou acompanhando. De um lado pro outro, pra cima e pra baixo. Pronto, ele tinha descoberto as mãos! Parecia que dava para ler os pensamentos dele. Tipo: "eu faço assim, isso vai pra lá. Faço assim, vem pra cá, pro lado, pro outro.... e tem essas coisas aqui na ponta que eu posso abrir e fechar e pegar meu bico!" hahahaha. Era ele, evoluindo, se descobrindo, crescendo, desenvolvendo. O processo de aprendizado deles, não tem limites, senão os que nós mesmos colocamos.... 

A nega e eu começam a debater a questão da creche. Afinal, em junho acaba a licença maternidade dela e o retorno ao velho horário integral de trabalho é necessário. Chegamos a conclusão que o melhor era colocar logo na escolinha, afinal, quanto mais cedo a criança for, melhor para se socializar e etc... Pois é, eu também pensava assim. Mas nossa pediatra me jogou um balde de água fria. A questão é simples.... Segundo a sociedade mundial de pediatria, estudos mostram que crianças que carregam dos pais qualquer doença genética (eu tive asma, bronquite e sou alérgico), quando entram em contato com agentes que liberam esses genes antes dos dois anos de idade, tem maior tendência a desenvolver a doença em comparação com aquelas que pegam os mesmos agentes após os dois anos de idade. O sistema imunológico delas esta mais preparado. Mas atenção, isso não quer dizer que a criança tenha que ficar enclausurada dentro de casa. O contágio de eventuais doenças acontece com a convivência por mais de 4 horas com outros bebês. Logo, você ainda pode levá-lo na natação, aula de música e demais atividades especiais para eles. Tal, vai ser o nosso caso. Bernardo iria começar natação por agora, não fosse uma tosse que pegamos. 

Sobre esse assunto, posso afirmar: dói demais ver nossos filhos sofrerem. Por conta dessa tosse, tivemos que fazer nebulização no pequeno. Bom, não preciso dizer da cara de choro dos dois quando fizemos a primeira inalação. É de cortar o coração ver aquela coisinha tão pequena e frágil, sofrendo. A máscara do aparelho, mesmo a menor, fica gigante da carinha dele... O que nos alivia é ver que ele segue alegre, sorridente e feliz! A primeira doença, a gente nunca esquece!

Segue a foto do gordo para vocês!!!

 
 E com esse sorriso gostoso, vou encerrando mais um post! 
 
Um super beijo, Paizão! 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O dia "D"os Pais....

Não, as mãos que vocês estam vendo na foto aí de cima não são minhas nem do B. Estamos com 18 semanas de gestação e o bichinho segue firme e forte ganhando peso dentro da barriga da mãe. Mas em que pese não esteja aqui no meio de nós, meu dia dos pais foi tão especial, que parecia que já estava ao lado do meu filho. Explico.
Recebi várias cartinhas da mamãe-lindeza como se elas tivessem sido escritas pelo Bernardo. Para entender melhor, vou transcrevê-las literalmente:

A primeira, dizia o seguinte: 
"Papai Samir,
Estou aqui hoje pela primeira vez para te desejar um maravilhoso dia dos pais. Quero que saiba que já te amo demais e que não vejo a hora de estar aí fora contigo, nos teus braços sentindo teu carinho, me fazendo ninar, me dando banho e me levando para passear (nessa fase da leitura, já estava com lágrimas nos olhos). 
São tantas coisas que sei que tens para me ensinar que me muito feliz. Tenho a sorte de poder compartilhar contigo o resto da minha vida e saber que és tu que me fará ser um homem de caráter leal e companheiro. Tenho certeza que nossa relação será baseada em amor e verdade. 
Tenho orgulho de saber que serei educado por ti, que és tão admirado por todos e tens um amor especial pelo vovô. 
Papai, já sinto teu amor, tuas preocupações e teus carinhos aqui da barriga da mamãe e sei que nossa família será muito especial. 
Papai, agora nós vamos brincar um pouquinho, pois eu comprei vários presentinhos, mas terá que achá-los. Siga as pistas.

Nr.1. Comece procurando, no lugar mais quentinho da nossa casa..."
.......

Lugar mais quentinho da casa? Churrasqueira ou forno pensei com meus botões. Nada disso, o lugar mais quentinho da nossa casa é a cama (sacaram??? Lugar quente=cama hahahaha). Eu acho que a Karina não tinha visto por esta ótica até ler esse post... 

Eis que:

COISA MAIS LINDAAAAAAAAAA!!! Sim, um bico NUK (pra quem não sabe, é o melhor que existe para a criança) e um cupcake delicioso que durou o tempo de eu tirar a foto e foi logo degustado. 
Junto, outra cartinha:

"N.2. Agora siga até o nosso lugarzinho preferido de ver TV." 

Essa era fácil, a gente só tem um sofá na casa para ver TV... 
Lá chegando, embaixo das almofadas:

Confesso que fiquei impressionado com a sensibilidade do presente. Umas das lembranças mais emblemáticas que tenho do meu pai, é a imagem dele fazendo a barba. Por outro lado, nada traduz melhor o que é ser pai do participar das lides que envolvem o bebê. Nesse sentido, trocar fraldas, está no topo da lista!

Mas tinha a cartinha nr. 3: 

"Muito bem...
Agora siga até o local que tem mais sol na nossa casinha..."

Evidente que era a janela da sala, que pega sol a manhã inteira.. Lá chegando:

Vocês já imaginam o dia que eu e ele nos arrumarmos juntos para ficar bonitões para a mamãe??? Há, eu não paro de pensar nisso. Esses dias usei esse presente, mas parecia que faltava um pedaço. Claro que sim, era o B. do meu lado... mal posso esperar para que isso aconteça. 

Carta nr. 4:

"A nossa brincadeira já está quase no final, faltam somente algumas pistas. Siga até o local, onde a mamãe guarda coisas gostosas para comermos..."
 Barbada também! Geladeira! Dito e feito:

Um avental para assar churrasco e um babeiro. Eu fiquei na dúvida em saber quem de nós dois iria usar o que... 

Carta nr. 5:

"Siga até o local onde se veste todos os dias e fica lindo para ir trabalhar e logo, logo para me levar para passear..."
Não precisa ser nenhum gênio né? Closet:


Tchê, as roupas são demais de lindas, mas vocês já pensaram quando tiverem recheio??? hahahahahah 

Carta nr. 6:

"Papai, estou adorando esta brincadeira e também de te dar tantos mimos. Ano que vem nesse momento poderá me dar um abraço e um beijo bem gostoso com uma cheiradinha. 
Papai, tem uma pessoa muito especial que nos ama incondicionalmente. É a pessoa que vai me cuidar nesses nove meses para que eu nasça forte e com saúde. Nesse momento a mamãe deve estar com o último presente em seus braços e comigo em sua barriga. Este presente é algo que somente nós dois faremos e que eu ainda não tinha. Agora papai, nossa dupla está completa para sempre. Nunca se esqueça que eu te amo e tenho muito orgulho de gritar a todos que TU é meu PAI, meu herói e meu porto seguro,

Te amo papai, Bernardo Marcanth Hofmeister Nassif."



Bom galera, qualquer outra coisa que eu diga a respeito do meu primeiro dia dos pais, iria diminuir tudo o que ganhei da nega. Não vou ser louco de dizer que não sabia que ia ganhar um presente, mas não esperava que seria tão emocionante e tão profundo. A Karina praticamente resumiu todas as fases de desenvolvimento do meu filho através dos regalos...

O dia fechou com chave de ouro, comendo um churrasco na casa do meu pai, assado pelo meu cunhadão Fábio, na companhia dos filhos dele, das minhas irmãs e dos meus sobrinhos! 

Para todo resto, existe Mastercard... 

Um beijão a todos, P.