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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Jardim de Rosas...

Segundo o que diz o dicionário on-lie Priberam, perfeição significa:
perfeição 

s. f.
1. Acto de acabar ou aperfeiçoar alguma coisa.
2. O grau de excelência, bondade ou beleza a que pode chegar alguma coisa.

Depois de algum tempo, entre o balanço louco do sim e do não a pergunta deve ser enfrentada de frente. Ter ou não mais um filho? São vários os prós e contras, seja qual for a decisão do casal. Filho único, significa concentrar todas as forças e energias num ponto. Há quem sujeite a questão sob a ótica financeira, argumentando no fato de poder prover para o filho tudo de melhor que se é possível  dar. Outros, no cansaço de ter que passar novamente por todo processo de cuidado exigido na primeira fase de vida do pequeno. Não podemos esquecer que a carreira dos pais também conta muito na hora de tomar a decisão. 

A nega está bem no trabalho. Crescendo cada vez mais, com viagem marcada novamente e com possibilidade de conquistar novos destinos por mais tempo. Eu, no mesmo sentido, cresço no escritório com clientes que exigem cada vez mais. Ambos chegamos a conclusão de que não é a hora ainda. Afinal de contas, recém agora estamos conseguindo ter nossa vida como casal de volta depois de um longo período na clausura. 

Pensando nisso, com o Bernardo mais crescido, já podemos deixá-lo para posar na casa da vó e curtir um jantar romântico vez que outra. Dia desses, um casal de amigos terminou de reformar o apartamento deles e resolveu fazer um "Sambão de casa nova". Contrataram uma banda de samba e encomendaram muito chop para receber a galera. Bom, Bernardinho foi para casa da abuelita e nós rumamos para a festa. Estava demais!!! Sair sem ter que se preocupar em acordar de madrugada para trocar fraldas e dar mama depois de um ano e meio nesse procedimento diário, foi realmente bom. Evidente que aqui não estou reclamando nem arrependido de absolutamente nada. Mas temos que pensar que  para os filhos é importante também poder ver os pais se curtindo e namorando depois da paternidade.  Afinal, são os exemplos do que ele vê dentro de casa que estarão consigo no futuro. 
Depois do samba, resolvemos conhecer um lugar gerenciado por outro amigo nosso. Chegando lá, depois de beber muita cerveja, partimos eu e a nega para a Vodka. Descompromissados com o horário, curtimos os amigos, nos divertimos e bebemos mais de que deveríamos. E quando chegamos em casa, a festa continuou... 

Foi estranho dormir sem o filho em casa. Condicionamos nosso sono a permanecer alerta em razão do que pode acontecer, depois de um ano e meio de convivência, por certo que não seria em uma noite que o sono voltaria a ser o mesmo de antes. Uma mistura de saudade e culpa fez com que cedo no dia seguinte já tivéssemos buscado o rebento para junto de nós. 

Bom, depois de assimilar a idéia de filho único, nada parecia mais certo do que tentar resgatar aqueles antigos sentimentos suspensos por causa da gestação do Bernardo. E assim, foi. Karina começou a viajar novamente e eu comecei a rever os amigos em encontros informais. 

Lembro como se fosse hoje que a primeira desconfiança de que estávamos grávidos começou quando a nega foi para Montevideo. Casualmente, esse ano ela tinha outra viagem marcada para o mesmo destino e na mesma época da anterior. E não é que ela me liga de lá dizendo que não estava passando bem e que queria fazer uns exames quando voltasse? Bom, eu que recém tinha trocado de carro comecei a pensar nas possibilidades de desfazer o negócio. Só que me faltava essa guria pegar barriga de novo!!! Hahahaha. 
Na verdade foi feita uma biopsia e descobrimos que a Karina estava com um cisto hemorrágico em um dos ovários. Apesar de ser bem comum e se tratar de um quadro clínico simples, tomamos um susto. Seja como for, nunca é bom saber que apareceu uma mancha escura em qualquer exame que se faça... 

Depois de algumas semanas ela atrasou a menstruação e começou a sentir dores abdominais. Novamente voltamos a ficar preocupados com o quadro e ela voltou ao médico. Saiu de lá com a receita para fazer um exame de gravidez. WHAT???? Como assim? O cisto tinha virado um feto??? Ou será que era uma espécie de Alien? A gente não entendia mais nada! Pavor e pânico. Ficamos atônitos. A minha calma só veio depois de ouvir da boca da nega que ela, em que pese não tivesse feito o exame, tinha certeza de que não estava grávida. Bom, se a criatura que é quem vai gerir me diz que não se sente grávida, quem sou eu para discordar??? Não sei porque nessa hora lembrei do que um amigo meu sempre me dizia na época da faculdade: Cara, nunca confie num ser que sangra a vida toda uma vez por mês e nunca morre... Dito e feito: ESTAMOS GRÁVIDOS NOVAMENTE! 

É incrível o que muda na gente numa hora para outra. Não foi a mesma coisa de quando descobrimos o Bernardo, nem teria como já que não tínhamos nenhum filho antes. Mas dadas as circunstâncias, todo nosso planejamento de não termos o segundo, caiu por terra. Sim, porque não queria nem por um segundo que meu filho se sentisse rejeitado. Afinal de contas, se é para ter, que seja na mesma intensidade de antes, com toda nossa atenção e carinho voltados para a gestação. No entanto, até que a nega conseguisse falar para a chefe dela que havia "pego barriga" de novo foram semanas bem tensas. Boa parte do que dá significado à vida da Karina, passa pelo seu trabalho. É uma dedicação realmente impressionante, algo feito de corpo e alma, ao ponto de muitas vezes, perder a esposa para o sono mesmo antes de começar a novela das nove. Assim, ela somente estaria bem consigo mesma, depois de falar. E ela, como grande mulher que é, falou.

Fato é que a vida tem mais a nos alegrar do que entristecer. E tudo, absolutamente tudo esta tomando seu rumo mais uma vez. De susto ou não, na hora errada ou certa hoje temos a certeza de que cada coisa está em seu devido lugar. 

E nós que pensávamos ter atingido a perfeição, não sabíamos que ainda havia algo melhor por vir... E veio! Vai atender pelo nome de Martina. E eu, desde já, tanto e sempre, sou só amor. A princesa do papai está a caminho e meu reinado ganha um novo jardim. Desta vez de rosas... 

Este foi o melhor dia dos pais do mundo! 

Um beijo, Paizão. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

E num domingo qualquer...

Penso que uma das coisas mais difíceis de se conseguir fazer nos dias de hoje é iniciar um hábito. A gente passa a vida toda mecanicamente programado para fazer as mesmas rotinas que esquece de tentar inovar. Sou um defensor de que as pessoas mudam. Isso, claro, quando a motivação é mais forte do que aquilo que nos prende à mudança. 
No meu caso, tenho que me habituar a anotar todas as idéias que surgem para colocar no blog. Com certeza, teria posts mais seguidos...
...
Esse mês Bernardo completou um ano e meio de "vida". De fato, estava certo quando escrevi que os filhos não vem, eles vão. Na medida em que o tempo vai passando, o piá vai ficando cada vez mais independente de nós. O fato de começarem a caminhar e falar, retiram quase que completamente a necessidade que temos de fazermos absolutamente tudo por eles. Bernardo já fala quando tem fome ou sede e vai com suas próprias pernas até o lugar aonde quer brincar. 
Dia desses, ele pegou uma virose (gastroenterite viral) que nos tirou uma boa semana de sono. Considerando que ele corria o risco de regurgitar durante o sono, o passamos para nossa cama. O problema é que ele roncava feito gente grande. Sem brincadeira... Como meu sono é leve, tive que me mudar para o sofá de dois lugares da sala que me serviu de cama por um por par de dias. Resultado ou acordava totalmente quebrado de dormir lá, ou ia pra cama e não dormia por causa do ronco. Acho que desde o nascimento do Bernardo, - que sempre foi um bebê tranquilo-, foi a pior semana que passei. 
Realmente a sensação de impotência sobre a falta de controle acerca do que aflige nossos filhos é um dos piores sentimentos da paternidade. Ver um filho sofrer, sem poder minimizar a dor é torturante. Febre que não baixa, não se alimenta, não bebe, não quer brincar... a gente passa 24 horas aflito até que eles melhores e voltem a ser o que eram antes... Por azar, a semana coincidiu com diversos compromissos profissionais que não podiam ser adiados. Nessas horas que a gente percebe o valor dos familiares que de pronto se propuseram a ficar com o pequeno enquanto trabalhava, além é claro, da nega que foi incansável nos cuidados. Mas não foi nada fácil... Com certeza o cansaço mental é o pior de todos. Foi uma semana que passou como se fosse um pesadelo, mas chegou ao fim. 
E quando eu menos esperava, em meio à um domingo chuvoso de inverno, Bernardo acorda e me aparece na sala com essa cara da foto aí em cima. Tira o bico da boca e fala com jeito de quem ainda esta aprendendo a dominar a própria língua: "Aga, papai, aga". Ali estava ele, indo mais um pouco... 

A lição que fica é a de que não importa quanto você seria capaz de sofrer pelo seu filho, certas vezes na vida o sofrimento é só dele. O máximo que a gente pode fazer, nem sempre é o suficiente.


Um super beijo, Paizão. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

... o resto dos dias...

... e de repente estávamos sós. Logo que Bernardo foi dormir, comecei a notar as diferenças de não se ter uma mulher em casa. Depois de zanzar e brincar muito pela casa, chegou a hora de dormir. Fazer ele encontrar Morfeo nunca tinha sido problema para mim. De fato já estava bem acostumado. Mas a dúvida era: colocar ele no berço do quarto dele ou leva-lo para dormir comigo na cama? Evidente que a vontade era de dormir  junto, mas seria isto o melhor? E se ele acostumasse mal(?) e depois não quisesse mais voltar a dormir na sua cama? 
Bueno, juro que tentei ser o mais racional possível, mas olhar essa coisinha aí do lado, dormindo sozinho no quarto dele, foi demais para mim... Afinal, uma das mais doces lembranças que tenho era a de ir para cama dos meus pais quando pequeno. Porque privá-lo disso?? Mas eu não contava com uma coisa: quando ele dormia conosco, no meio da madrugada sempre acordava para mamar. Dito e feito, ele acordou na madrugada e foi reto procurar sua fonte de alimento. Literalmente deu com os beiços no travesseiro da Karina. Bom, daí foi um tal de "mamama" pra lá, "mamama" pra cá e eu sem saber se era de "Mamar" ou de "Mamãe". Mas considerando que depois de uma mamadeira de iogurte ele voltou a dormir, fico com a primeira opção. 
...
Acordamos (na verdade ele), as 07:30hr da manha. Como a Karina tinha feito uma aposta comigo de que nesses 08 dias fora, o Bernardo só iria tomar banho dois dias depois que ela fosse embora, dei logo um jeito de ganhar a aposta e fui banhar a figura. Enchi a banheira dentro do box e coloquei o pintucho dentro... Bom, ele tomou banho e me deu um banho, tanto que desisti da idéia e entrei logo de vez no chuveiro com ele. 
... 
Eu podia dizer que nos primeiros dois dias a situação foi complicada. Entretanto, acho que esta seria uma leitura equivocada do que estava acontecendo. Prefiro acreditar que no inicio estava me adaptando a nova função de "mãe" (o que é impossível, mas...). E digo isso porque à medida em que realizava as tarefas que antes eram exercidas pela nega, o Bernardo reagia diferente comigo por igual. Acorda-lo, dar lhe café da manhã, vesti-lo para escola, arrumar a mochila e etc, são tarefas que por mais chatas que pareçam, acabam nos aproximando muito de nossos filhos. Cansa? Evidente que sim. Mas faria tudo de novo sem titubear um segundo, porque a gratificação que se sente é indescritível. Enquanto isso, Karina me mandava as fotos da nevasca em Londres... #nemsentiinveja
Mas foi tudo tão bem que lá pelo quarto dia, quando ele sentia sono, nem precisava sair correndo atrás dele. O pintucho vinha por conta procurar meu colo. Se encaixava no meu peito deitado no sofá da sala e assistia TV até adormecer. 
...
Para quem não sabe, perdi minha mãe uma semana antes de saber que estava grávido. A Dona Maria Elaine, era insaciável no cuidado dos filhos e nesse período me fez muita falta. Por umas três vezes, estranhava o fato de que ela ainda não tinha me ligado no dia perguntando se eu não precisava de nada. Se viva fosse, teria se oferecido para posar aqui em casa todos os dias até a Karina voltar... 

Outra sensação estranha que aconteceu, foi perceber como implicitamente o casal confia um no outro acerca dos cuidados com o filho. Explico: quando a Karina estava em casa, não tinha aquela preocupação de ir até o berço saber se estava tudo bem ao primeiro som estranho que ouvisse. Durante este período, cheguei a ir 07 vezes na mesma noite dar uma checada no carinha. Óbvio que a única coisa que mudava era a posição que ele estava... Mas o senso de responsabilidade, de que nada podia acontecer de ruim efetivamente aumentou. Sequer aquela cerveja do final de semana eu tomei... Vai que dormisse e não ouvisse o choro dele??? 

Aliás pensando nisso, comprei de um amigo um alarme muito legal. Depois de tanto saber de pais que esquecem seus filhos nos carros quando vão trabalhar ou ir ao supermercado, resolvi adotar esse equipamento. É muito útil. Vem uma pulseira que é colocada no pulso do pequeno ou na roupa e um dispositivo que vai no chaveiro da casa ou do carro. Ele aciona um som e vibra se você se distância tantos metros e também serve caso o pequeno se aproxime (para pais que possuem piscina em casa). É um produto muito bom e útil. Caso haja interesse de alguém, eu passo o contato do meu amigo! Vale a pena o investimento.
...
Muitas pessoas vinham em minha direção e diziam: "Agora tu vai aprender a dar valor para a Karina" e coisas desse tipo. Bom, eu sempre dei valor. Aliás, se teve alguém que incentivou a viagem foi eu. A nega, orgulhosamente começou como estagiária na TOK, sem a ajuda de ninguém. Única e exclusivamente com mérito próprio. E lá foi crescendo na proporção do seu talento e hoje conseguiu realizar esse sonho. Penso que ter ciúmes  ou inveja nessas situações, nada mais é do que manifestar nossa insegurança ou incapacidade de atingirmos por conta própria, o mesmo estágio profissional e pessoal. Assim, desejo que a Karina continue crescendo, viajando, conhecendo novas pessoas e assim por diante. Mas que depois de tudo isso, ela ainda sinta vontade de voltar para casa. Como de fato, foi o que aconteceu! 
Se aprendi a dar valor para a mãe do meu filho, tenham certeza que ela aprendeu também a valorizar o cara que ficou cuidando do Bernardo nesses dias enquanto ela, buscava seu crescimento profissional do outro lado do oceano. Quem ganhou mais?? A resposta é evidente: O Bernardo.

Nega voltou! Na mala, milhares de presentes, muitas histórias para contar e a certeza de que não há lugar como nosso lar... 

Fico por aqui, 
Um Beijo, Paizão.

P.S. Esse post vai dedicado para a Vanessa Q. que carinhosamente me cobrou a continuidade da epopéia! 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O "Upa".

Bernardo começou a caminhar há cerca de um mês. Lembro do meu post "Os filhos não vem, eles vão", e de fato minha teoria estava certa. Ele não pára mais quieto. Absolutamente tudo é motivo de descoberta. Observa e presta atenção em qualquer objeto novo que é inserido em seu campo de visão. O problema é que  somente quando a última gota de energia se esvaiu, o que demora para acontecer, o Bernardo dorme. Chega a ser engraçado ver ele tropeçando nos brinquedos ou tentando ficar com os olhos abertos para não descansar. Outra consequência que notamos é que o gasto de energia é maior que a ingestão. São cerca de  5 refeições por dia, mas a "malhação" é pesada e por isso ele engorda pouco. Meu filho nunca vai fazer o tipo "bebê Johnson". Ele esta mais para o tipo atlético. 

Mas segundo nossa Pediatra, mesmo que não esteja ganhando peso como deveria, o que importa é que está 100% saudável. E cá para nós... mil vezes um filho ativo e da pá virada do que um pasmado rechonchudo. 
...

Já que o pintucho está crescendo é normal que a gente comece a querer que eles nos imite naquilo que fazemos. Ainda temos a tendência de começar a pedir para que faça coisas que pedimos: "Diz oi!", "Dá tchau filho!", "Manda beijo!" e assim por diante. 


Foi então que certo dia começamos a pedir para o Bernardo dar um "Upa", ou seja um abraço. E ele deu... 



Dormir com o B. é divino. É a máxima sensação de proteção que você pode dar para uma pessoa. É quando a criança se entrega para você. É como se ela dissesse: "Ok, vou confiar em você e te deixar ser meu colchão." Um filho dormir no seu colo significa que ele sabe que não importa o que aconteça, ele estará protegido. 



Mas o "Upa" é algo para além disso. É a materialização da retribuição de todo carinho e amor que você tem dedicado ao seu pequeno. Uma vez me falaram que o amor pelos filhos só cresce. Eu desconfiava que fosse mentira e estava errado. De fato, o amor só aumenta. E muito deste processo em relação ao meu filho, começou depois do "Upa". Buscando na memória, não lembro quando foi que recebi um carinho tão sincero e puro. E aqui cabe um parênteses: sinceridade, na Roma antiga era o nome dado à obras de arte sine cera. É que por vezes os artistas realizam seus trabalhos em blocos de mármore maciços. Quando eles erravam alguma cosia ou talhavam com muita força, usavam uma mistura de cera de abelha para tapar o furo e esconder a imperfeição. Só que com o tempo a cera envelhecia e acabava caindo, mostrando o que estava por trás... Logo, os imperadores começaram a pedir obras de arte sine cera, ou seja sem cera = sinceridade. 



Os bebês desenvolvem um milhão de atividades por dia. Cada hora eles estão observando  algo diferente e brincando com alguma coisa. É difícil você prender a atenção deles. Quando recebi o "Upa" do B., naquele exato momento eu era o centro de toda sua atenção. Dentre o universo de coisas que ele tinha para fazer, brincar, descobrir ele queria a mim. Acho que por isso foi tão forte a sensação. Eu era o mundo dele naquela hora. E isso é o que um pai mais pode querer para seu filho: que ele sinta o amor que você tem por ele. 


E assim são os "Upas" do Bernardo. É um abraço com a alma, sem nenhum porém, sem nada em troca. É um toque no coração. Como diria Calvin para Haroldo: é um abraço tão forte, que acaba espremendo as lágrimas para fora... 


Um super "Upa", Paizão.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Um dia na Pediatra.

Buenas, já que me propus a entrar de cabeça nessa história toda de ser um pai participativo e tudo mais, fui encarregado de levar o Bernardo na pediatra. Até então tudo bem, nada complicado correto? Errado, deu tudo errado.

Normalmente a coisa funciona assim: a Karina deixa tudo pronto, roupa, comida, bico, mamadeira e etc. Quando ela sai para trabalhar, só tenho que ir encaixando as peças. Ocorre que a pediatra era novidade, não fazia parte da rotina. Na minha cabeça era só pegar o filho e ir. Nenhuma outra instrução me foi passada! Foi exatamente o que fiz...

Chegando no consultório, havia duas mães, uma babá e três crianças no local. Tudo tranquilo até então. Estava me achando o máximo. Afinal, único pai presente, todo orgulhoso, escritor de um blog sobre a gravidez e tal. Porém, chegaram mais de 17 mães no consultório e eu acabei me  tornando a única espécime masculina no recinto. A partir de então, eu já comecei a desconfiar da minha boa-vontade de levar o filho no médico. Pôxa, será que só eu faço isso? Será que não é função única e exclusiva da mãe essas empreitadas?
Papo vai, papo vem, todo mundo feliz contando as alegrias e as dores dos filhos. Pelo que pude perceber, não existe pai que esteja 100% certo nunca! Como gostam de falar mal da minha categoria... Ou é porque não acordam de madrugada, ou porque não sabem trocar, ou arrumar, ou qualquer outra coisa que simplesmente não seja o jeito delas de fazer, não importa. Nós estamos sempre errados!

Mas enfim, em que pese minha vontade de falar umas verdades, numericamente eu estava em desvantagem. A preservação da vida falou mais alto. Mas o melhor estava por vir... O Bernardo é uma criança muito sossegada e simpática. Basta um "oi" mais meloso e ele abre o sorriso. A certa altura, no meio das suas risadas, ele começou a mudar o semblante. Era como se estivesse fazendo força, muita força. Eu, que já tinha visto essa expressão em outras ocasiões, sabia o que isso significava... Bom amigos, sabe quando você fica uns três dias sem ir aos pés? Pois esse acúmulo todo resolveu vim à tona... E veio, veio, VEIO!!! Senhores eu juro: tinha cocô até na nuca dele!
Eu fiquei em estado catatônico. Primeiro porque o cheiro tomou conta do ambiente todo. E eu, ao invés de assumir a autoria do filho que havia feito aquilo, tentei manter a elegância. Só que cada vez que uma mãe vinha em direção à ele eu entrava em pânico! Vai que a desgraçada resolvesse pegar ele no colo?? O que eu ia dizer??? Na dúvida eu pegava ele no colo e dizia: ele tá com soninho!!! Só que nisso, eu espalhava mais a coisa pelo resto do corpo...

Segundo, porque eu tinha esquecido toda a mala dele no carro! Não tinha uma fralda para trocar ele e sequer outra roupa! Pessoal, eu acho que nunca na minha vida fiquei tão nervoso! A situação era tão esdrúxula, tão inimaginável que eu suava frio! Foram os minutos mais longos por mim vividos.

Quando a Dra. abriu a porta e nos chamou, juro, eu era o cara mais feliz do mundo. Parecia que tinha visto a bandeira americana anunciando o fim da guerra! Eu me joguei nos pés dela e ofereci o Bernardo tal como o servo egípcio oferece presente aos Deuses.

Bom, na medida em que a Dra., foi trocando o filho, fui me acalmando. Consegui guardar algumas informações importantes sobre a consulta e no final o prejuízo foi de um body que tivemos que botar fora. Parando para pensar agora sobre tudo, dou risada. Mas não foi nada engraçado na hora. Enfim, o que vale foi a lição: NUNCA LEVE SEU FILHO AO PEDIATRA! ahahahah Brincadeira pessoal. Cada dia que passa é uma lição nova. Aprendi que organizar as coisas antes de fazer qualquer programação é fundamental para o sucesso da empreitada!

Vou ficando por aqui!!

Super Beijo, Paizão!

terça-feira, 17 de abril de 2012

3 meses D.N.


Inacreditáveis três meses depois do nascimento. Rápidos demais eu diria. Seguido quando nos perguntam qual a idade do Bernardo, as pessoas dizem que têm saudades deste tempo. Quando podiam controlar os filhos e a maior preocupação era apenas trocar a fralda e amamentar. Com razão... Sabe-se que a língua portuguesa é uma das mais complexas que existe. Mesmo assim, o velho clichê de que faltam palavras para descrever as novas emoções, aplica-se mais uma vez. 

A Teoria da Relatividade, por mais que tentem apontá-la como falha, segue firme aqui em casa. Tanta coisa mudou, muita coisa passou e há um oceano de coisas para serem vistas, experimentadas e vividas que a impressão que tenho, como disse a nega, é de que o filho sempre existiu em nossas vidas. Já não consigo me imaginar sem ele. O tempo quando estamos juntos ganha espaço: parece curto no presente, longo no passado e distante no futuro. Levo comigo a toda hora, o primeiro sorriso que ele me deu. A primeira vez que fui reconhecido e agraciado com um riso banguela que levarei para sempre na memória.  Isso e tantas outras coisas que surgem a cada dia, renovam essa emocionante aventura e fazem dela a melhor coisa que já me aconteceu na vida. E como todo mês fizemos uma festinha, não seria diferente desta vez...


O Bernardo esta um mês e meio à frente nasua evolução. E não pense que sou eu quem esta dizendo. Isto partiu da última consulta na pediatra. Disse ela que ele será um guri bem esperto. De fato, percebo que já reconhece pessoas, pega seus brinquedos com a mão e coloca o bico de volta na boca quando cai. O sono dura cerca de 6/7 horas por noite, segue sem cólicas e à exceção de estar com fome, não chora por mais nada. Já esta bem fimezinho e controlando cada vez mais os movimentos. O que impressiona nesse processo todo, é que as transformações acontecem quando menos se espera. Dia desses, estava fazendo palhaçadas e ele se sacudia para rir. Numa dessas, ele viu uma coisa passando na frente dele e ficou acompanhando. De um lado pro outro, pra cima e pra baixo. Pronto, ele tinha descoberto as mãos! Parecia que dava para ler os pensamentos dele. Tipo: "eu faço assim, isso vai pra lá. Faço assim, vem pra cá, pro lado, pro outro.... e tem essas coisas aqui na ponta que eu posso abrir e fechar e pegar meu bico!" hahahaha. Era ele, evoluindo, se descobrindo, crescendo, desenvolvendo. O processo de aprendizado deles, não tem limites, senão os que nós mesmos colocamos.... 

A nega e eu começam a debater a questão da creche. Afinal, em junho acaba a licença maternidade dela e o retorno ao velho horário integral de trabalho é necessário. Chegamos a conclusão que o melhor era colocar logo na escolinha, afinal, quanto mais cedo a criança for, melhor para se socializar e etc... Pois é, eu também pensava assim. Mas nossa pediatra me jogou um balde de água fria. A questão é simples.... Segundo a sociedade mundial de pediatria, estudos mostram que crianças que carregam dos pais qualquer doença genética (eu tive asma, bronquite e sou alérgico), quando entram em contato com agentes que liberam esses genes antes dos dois anos de idade, tem maior tendência a desenvolver a doença em comparação com aquelas que pegam os mesmos agentes após os dois anos de idade. O sistema imunológico delas esta mais preparado. Mas atenção, isso não quer dizer que a criança tenha que ficar enclausurada dentro de casa. O contágio de eventuais doenças acontece com a convivência por mais de 4 horas com outros bebês. Logo, você ainda pode levá-lo na natação, aula de música e demais atividades especiais para eles. Tal, vai ser o nosso caso. Bernardo iria começar natação por agora, não fosse uma tosse que pegamos. 

Sobre esse assunto, posso afirmar: dói demais ver nossos filhos sofrerem. Por conta dessa tosse, tivemos que fazer nebulização no pequeno. Bom, não preciso dizer da cara de choro dos dois quando fizemos a primeira inalação. É de cortar o coração ver aquela coisinha tão pequena e frágil, sofrendo. A máscara do aparelho, mesmo a menor, fica gigante da carinha dele... O que nos alivia é ver que ele segue alegre, sorridente e feliz! A primeira doença, a gente nunca esquece!

Segue a foto do gordo para vocês!!!

 
 E com esse sorriso gostoso, vou encerrando mais um post! 
 
Um super beijo, Paizão! 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quando nasce um pai?



Ingressamos no último mês de gestação. Parece que foi ontem quando recebi a notícia de que em nove meses, estaria segurando um filho meu nos braços. Digo meu, porque antes tive a chance de experimentar através dos meus quatro sobrinhos a sensação aproximada do que significa isso. Realizamos uma ecografia essa semana e o Bernardo está ótimo. Pesando aproximados 2,300kg. Realmente ele deu um pulo de peso no trimestre final. A nega, por outro lado, engordou miseráveis 4kg. Houve momentos em que jurava que meu pequeno estava passando fome dentro da barriga, mas considerando os exames feitos aliados ainda ao que nosso médico relata, não há motivo para pânico. Imaginem se a Karina tivesse pesando 9kg? Bernardo teria 4,5kg!!! Melhor deixar assim...

Tenho recebido inúmeras mensagens carinhosas de amigos e pessoas que leem o blog. Dentre estes, ganhei uma menção no blog http://andreatpm.blogspot.com/2011/11/homem-gravido.html, da minha amiga Andrea Beheregaray. Na parte final do texto, tem a seguinte frase:

"Porque os pais nascem juntos com seus filhos."

Não sei porque, mas estes dizeres me chamaram atenção. Pensando sobre qual momento específico o homem se torna pai, não cheguei à uma conclusão. Primeiro, pensei que já havia me tornado pai, a contar do nascimento do meu primeiro sobrinho, o Lorenzo. Mas não, não foi ainda. Isto porque, além da questão óbvia de que não sou pai dos meus afilhados, são funções distintas a de pai e a de tio. E por mais, que os ame tanto quanto, não tenho neles a intensidade das preocupações de seus pais, muito menos o rigor que se exige a paternidade. Se ser avó, é ser pai com açucar, o que sobra para o tio? Não encontrei resposta...
Depois, pensei que me tornei pai quando comecei a enxergar o meu velho, mais como um amigo do que como uma autoridade. E que exatamente pela quebra desse paradigma, era possível que eu também pudesse cuidá-lo, como se tivesse um filho mais velho do que eu. Mas não, não fechava ainda. Porque existe uma ordem natural que não pode ser mudada. Ele é meu pai e não pode ser o contrário. E mesmo que agora nossa relação tenha uma troca recíproca de cuidados, o máximo que consigo ser dele para além do que já sou, é seu melhor amigo.  

Mas então quando? Quando recebi a notícia? Quando vi a primeira ecografia? Quando ele nascer talvez? 

E depois de passar o dia todo pensando e até mesmo depois do início deste post, penso que a resposta não pode ser atrelada a um evento temporal somente. A resposta que me pareceu mais correta foi SEMPRE! Sempre estarei nascendo pai... Em absolutamente todos os momentos acima e em muitos outros, nasce-se pai. Acredito que seja uma jornada tão intensa e de tanto aprendizado, que a cada momento, a cada ecografia nova ou exame, estou nascendo-me pai. Aprendendo a lidar com a apreensão, sendo mais cuidadoso, preocupado, etc. Acho que existem tantas experiências que sequer imagino, mas que fatalmente viverei, que me ensinarão dia a dia como desenvolver minha paternindade. Os pais, nascem com os filhos! Nascem, crescem e aprendem a sê-lo mutuamente. Numa troca constante de aprendizado, de sensações, de sofrimento e de amor. 

Será que conseguirei ser o pai que pretendo ser? Acredito que sim. Mas o importante realmente é manter em mente que por mais que eu o imagine, ele será do jeito dele. Dar-lhe o suporte total para que tenha uma vida feliz e saudável é o que posso fazer. O resto, depende exclusivamente das suas escolhas...

A gestação de um filho dura 40 semanas... a de um pai, uma vida inteira.

Mas que minhas boas intenções me sejam tão gratificadoras como a ecografia 3D que fizemos. Pelo menos fisicamente posso afirmar que meu filho é a minha cara!!!

Um super beijo, P.  


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Algumas diferenças entre meninos e meninas...





É bom que ele entenda logo, desde cedo que homens e mulheres vivem em universos diferentes. Prova disso, foi a gritante diferença entre o chá de fraldas e o churras de fraldas que eu organizei. 

O chá foi realizado com a união da minha irmã e Dinda Sabrina, da Dinda Carol e das amigas Ramona e Laura. Meses de programação escolhendo todos os detalhes, decoração, bebidas, lista de convidados, balões, etc etc. Aliás, descobri que o helicóptero que o Bernardo precisava tanto, não constava na lista de presentes... #fuisabotadocerto. 

No meio dessa programação toda, achei que estava faltando alguma coisa. Não estava achando certo a parte masculina dos casais ficar de fora do chá de fraldas, que é exclusivamente para mulheres. Pôxa vida, direito e obrigações iguais tchê!!! Então tive a ideia de fazer um churras de fraldas só para os homens!! Detalhe, isso foi numa segunda-feira sendo que o chá que havia sido programado há meses aconteceria no sábado. Enviei os convites naquele dia mesmo. E se por ventura você esta lendo esse post e não foi convidado, por favor, não se ofenda. De forma alguma meu eventual esquecimento foi proposital ou qualquer coisa do gênero. Na quarta-feira encomendei o chopp (30 litros) e no sábado pela manhã comprei a carne que seria assada logo mais... 

O resultado disso tudo foi que das 30 pessoas que havia convidado na segunda, 28 foram. As duas que não conseguiram, tiveram comprovadamente imprevistos. Impressionante como o universo masculino é muito descomplicado. Acho que tudo se deve ao fato de fazermos xixi em pé. Não existe nada no mundo mais simples do que isso. Se o cara está apertado, basta ir atrás de uma árvore e pronto. Alivio imediato. No meu churras, houve quem chegou depois que a festa já havia acabado e o chopp também. Sorte que a gurizada havia comprado umas latinhas a mais para continuar a festa... A decoração? Uma camiseta de bebê do Colorado autografada pelos jogadores do Inter. Nada demais, nada de menos. Apenas descomplicado. Afinal de contas a causa era nobre. Ao invés de lista de presentes, pedi só fraldas. Foram 87 pacotes no total...  A foto acima retrata o momento que certamente ficará eternizado na minha lembrança. 

Por isso, meu agradecimento: Ao Tutty: por quem detenho admiração e carinho tanto dentro das quadras como fora; ao Bel: o cara mais "come-quieto" que eu conheço;  ao Diego: não haveria melhor pessoa para apadrinhar meu guri; ao Osni: amigo do tempo da faculdade.. Quanta história hein meu velho?; Ao Matheus: filho do meu cunhado que hora é irmão, hora é filho, hora é amigo e hora é tudo um pouco; ao Flávio: amizade recente, mas com cara de velha, talvez porque o carinho não tenha idade..; ao Ricardinho: Monstro das quadras e dos pincéis (me deve uma tela hein!!!!); ao Manolito: o cara que todo mundo quer apresentar para sua filha, justificadamente; ao Gustavo Campos: colega de TJ.. Que bom aliás, que aquele TJ não fala..; ao Rafael Zin: anda logo tchê, faz teu filho e que eles sejam parceiros de jogo como nós!; ao Fofão: pelo sorriso fácil e alegria de sempre; ao Rick: que mesmo tendo um filho com 4 dias de vida, foi lá me dar um abraço e marcar presença; ao CB: amigo do amigo que meu amigo se tornou; ao Dieter: pelo senso de humor discreto e inteligente;  ao Djone: colorado fervoroso e galã...; ao Gui Lima: pela parceria, pelos papos e por tudo mais que agora não lembro.. ao Eduardo: amigo que veio por intermédio da Laurita e que junto trouxe todo o resto da família Caringi Raup para ficar em nossas vidas...; Ao Seu Lorivaldo: que emocionado falou com tanto carinho dos filhos como quem pode ter certeza de que cumpriu com folga o papel de pai; ao Gui Noll: por quem transponho o limite de amigo e chamo de irmão honrosamente; ao Dani: pelas dicas preciosas de um pai recente que ama sua cria tanto quanto eu já amo o meu; ao Luis Mauro: o cara que calça 47 e que certamente tem um coração proporcional; ao Inezil: parceiro de longa data, de tantas coisas, de tanto tempo que me dá certeza de que muito esta por vir... ; ao Gustavo Sudbrack: pelo afeto sincero em que pese gremista doente; ao Nico: o cara mais boa pinta que conheço; ao Ricardo Saabi: hermano distante, mas sempre present no coração. Entre os agradecimentos  não poderia deixar de registrar um especial muito obrigado ao meu cunhado do coração, Fábio, que assou o churrasco primorosamente como sempre; ao meu pai, Aramis Nassif, que entre as muitas coisas que me ensinou nessa vida, a de cultivar amizades certamente jamais será esquecida; e aos meus sobrinhos Gonçalo e Santiago por me anteciparem com tanta doçura o que espero viver com meu filho dentro de bem pouco tempo... Momentos de pura diversão! 

Aos demais que não puderam comparecer, fica o registro de que suas ausências foram sentidas, porque importantes. Mas não tanto ao ponto de amargurar porventura, qualquer sentimento de amizade que nutro por vocês. 

Desejo que o meu filho tenha tanta sorte, quanto eu tive, na escolha de suas amizades..

Um super beijo, P.