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domingo, 9 de outubro de 2016

Aonde foi que nos perdemos?



Faz tempo que não escrevo nada por aqui. Uma conjugação de fatores influenciaram para que isso acontecesse: trabalho, stress, falta de tempo ou ainda falta de inspiração. Mas nada é mais importante que a incapacidade que tenho de transcrever em textos todas as experiência que tenho vivido em relação aos filhos. 

Lembro que hoje Bernardo conta com 4 anos de idade e Martina com 2. De forma que, ainda, por bem pouco tempo, temos dois "bebês" em casa, em que pese essa concepção em alguns casos já não se aplique mais ao B., que tem me saído com cada uma...

Olhar para eles tem sido um exercício de reflexão. É impressionante a noção espacial e temporal que eles tem sobre o mundo e a visão única de interpretação dos fatos de suas vidas.

Não são raras as vezes em que admirá-los se transforma num instante de poesia pura. 

E é nessa observação que me questiono aonde nos perdemos. Em que momento das nossas vidas, deixamos para trás a capacidade de rir de nós mesmos nas situações mais ridículas possíveis. Em que curva deixamos para trás nossa honestidade e sinceridade? Porque perdemos a capacidade de pedir desculpas? 

Dia desses fomos deixar Bernardo no colégio quando a coordenadora do turno integral nos chamou para conversar. Entramos na sala e a autoridade desabafou: Bernardo deu uma pedrada num colega. Na mesma hora pensei que estava falhando na educação dele. Me veio a cabeça a falta de tempo que tem me acometido nos últimos meses, justificado no excesso de trabalho em busca de dinheiro para ter mais tempo para ficar com eles (aliás, comportamento que outrora já criticou Mujica, ex- presidente do Uruguai).  Pensei que o preço que estava pagando, era o de ter um filho marginal, voltado para a violência e revoltado. Foi como ter um pesadelo em um milésimo de segundo... Dito isso, a coordenadora explicou: Mas foi sem querer. Estavam os dois brincando quando a pedra escapou e atingiu o colega. Mas o Bernardo foi exemplar! Ajudou, pediu desculpas e ficou na sala esperando a mãe chegar para levar o amigo para o hospital. Ainda segurou a mochila dele o tempo todo para que ele não fizesse força...

Preciso dizer o tamanho do meu alívio? 
 
Porque perdemos isso? Que força invisível é essa que nos torna cruéis, vaidosos e egoístas? Será culpa do sistema? Mas esse sistema não é formado por indivíduos? Há, inegavelmente, algo de muito errado no mundo.

Martina não pode ver ninguém chorando que pede desculpas. Mesmo que ela não tenha feito absolutamente nada, basta fingir o choro que ela vem com um abraço e o pedido de desculpas: diculpa papai, não chora... Não importa pra ela o que houve, mas sim o que ela pode fazer para que o sofrimento daqueles que ela gosta, passe. 

Hoje tenho a impressão que meu papel de pai ganha outras atribuições na medida em que meus filhos vão vivendo e evoluindo tornando a função cada vez mais complexa. Hoje, mais do que educar, tenho que fiscalizar para que esses valores não se percam por aí e permaneçam para sempre acompanhando a conduta deles. 

Talvez assim, consiga enxergar aonde foi que perdi isso tudo e consiga me indignar um pouco menos com esse mundo...

 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

É o meu melhor desejo...

 Eu amo meus amigos. De verdade. Sinto saudades, sofro junto, tenho ciúmes (mas não assumo) e adoro estar com eles. 
Considerando que sou quem há mais tempo mantém um relacionamento estável dentre a grande maioria dos casais que conheço, posso dizer que muito do meu casamento se deve às amizades que construímos e mantemos durante todo esse tempo. 
Já passei por poucas e boas para chegar até aqui e digo que não foi fácil. Mas exatamente essas dificuldades do passado são o que me mantém firme quando a coisa não vai bem. E os amigos, são tudo, quando mais precisamos deles. 
Tenho uma dívida de gratidão com um punhado de pessoas. Mas especialmente hoje, quero agradecer duas muito especiais pela amizade incondicional. Ao Guilherme e Laura. 

E digo hoje, porque desde o casamento deles, devia um texto com meu desejo de felicidades para o casal. Fato é que cada vez que tentava escrever, nada saía. Não conseguia dimensionar o tanto que lhes quero bem em palavras. Existem alguns sentimentos que precisam ser vividos para que se possa precisar sua real importância e significado. Eu sempre quis ser pai. Nunca me pairou qualquer mínima dúvida sobre isso. E confesso que minha realização no plano sentimental no que atine à felicidade veio depois do Bernardo e da Martina. Ser pai é definitivamente a melhor coisa do mundo. 

Acordo com o homem aranha todos os dias, e vou dormir com a bela adormecida. Chego em casa e a Martina (que recém aprendeu a caminhar), vem cambaleando de um lado pro outro me dar um abraço. E mesmo que ela venha em zig-zag, ela sabe aonde quer chegar. E não importa o que esteja na frente, ela chega... Um pedaço de papel vira um céu estrelado e o porta-copos uma estrela ninja. "Na concha vive uma pélula" né papai? E assim por diante...  É como se a cada minuto a gente fosse metralhado com fofurices. 
Redesenha-se, quando se é pai, a definição da palavra amor. 

Então meus queridos amigos, saber da gravidez de vocês realizou meu desejo mais profundo. Que vocês possam experimentar esse sentimento que hoje eu tenho, como o de olhar para a foto acima e sentir vontade de chorar de amor. Receber a notícia, me faz lembrar de tudo que eu vivi e sinto pelos meus filhos. É impossível não se emocionar. Sobretudo porque, pelo que fazem pelos meus, tenho certeza de que serão excepcionais pais! Que sorte tem essa menina...

Gracias pela amizade e sejam bem-vindos ao clube dos "só quem tem sabe". Vocês merecem muito essa felicidade! 

Mega beijo, S.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Jardim de Rosas...

Segundo o que diz o dicionário on-lie Priberam, perfeição significa:
perfeição 

s. f.
1. Acto de acabar ou aperfeiçoar alguma coisa.
2. O grau de excelência, bondade ou beleza a que pode chegar alguma coisa.

Depois de algum tempo, entre o balanço louco do sim e do não a pergunta deve ser enfrentada de frente. Ter ou não mais um filho? São vários os prós e contras, seja qual for a decisão do casal. Filho único, significa concentrar todas as forças e energias num ponto. Há quem sujeite a questão sob a ótica financeira, argumentando no fato de poder prover para o filho tudo de melhor que se é possível  dar. Outros, no cansaço de ter que passar novamente por todo processo de cuidado exigido na primeira fase de vida do pequeno. Não podemos esquecer que a carreira dos pais também conta muito na hora de tomar a decisão. 

A nega está bem no trabalho. Crescendo cada vez mais, com viagem marcada novamente e com possibilidade de conquistar novos destinos por mais tempo. Eu, no mesmo sentido, cresço no escritório com clientes que exigem cada vez mais. Ambos chegamos a conclusão de que não é a hora ainda. Afinal de contas, recém agora estamos conseguindo ter nossa vida como casal de volta depois de um longo período na clausura. 

Pensando nisso, com o Bernardo mais crescido, já podemos deixá-lo para posar na casa da vó e curtir um jantar romântico vez que outra. Dia desses, um casal de amigos terminou de reformar o apartamento deles e resolveu fazer um "Sambão de casa nova". Contrataram uma banda de samba e encomendaram muito chop para receber a galera. Bom, Bernardinho foi para casa da abuelita e nós rumamos para a festa. Estava demais!!! Sair sem ter que se preocupar em acordar de madrugada para trocar fraldas e dar mama depois de um ano e meio nesse procedimento diário, foi realmente bom. Evidente que aqui não estou reclamando nem arrependido de absolutamente nada. Mas temos que pensar que  para os filhos é importante também poder ver os pais se curtindo e namorando depois da paternidade.  Afinal, são os exemplos do que ele vê dentro de casa que estarão consigo no futuro. 
Depois do samba, resolvemos conhecer um lugar gerenciado por outro amigo nosso. Chegando lá, depois de beber muita cerveja, partimos eu e a nega para a Vodka. Descompromissados com o horário, curtimos os amigos, nos divertimos e bebemos mais de que deveríamos. E quando chegamos em casa, a festa continuou... 

Foi estranho dormir sem o filho em casa. Condicionamos nosso sono a permanecer alerta em razão do que pode acontecer, depois de um ano e meio de convivência, por certo que não seria em uma noite que o sono voltaria a ser o mesmo de antes. Uma mistura de saudade e culpa fez com que cedo no dia seguinte já tivéssemos buscado o rebento para junto de nós. 

Bom, depois de assimilar a idéia de filho único, nada parecia mais certo do que tentar resgatar aqueles antigos sentimentos suspensos por causa da gestação do Bernardo. E assim, foi. Karina começou a viajar novamente e eu comecei a rever os amigos em encontros informais. 

Lembro como se fosse hoje que a primeira desconfiança de que estávamos grávidos começou quando a nega foi para Montevideo. Casualmente, esse ano ela tinha outra viagem marcada para o mesmo destino e na mesma época da anterior. E não é que ela me liga de lá dizendo que não estava passando bem e que queria fazer uns exames quando voltasse? Bom, eu que recém tinha trocado de carro comecei a pensar nas possibilidades de desfazer o negócio. Só que me faltava essa guria pegar barriga de novo!!! Hahahaha. 
Na verdade foi feita uma biopsia e descobrimos que a Karina estava com um cisto hemorrágico em um dos ovários. Apesar de ser bem comum e se tratar de um quadro clínico simples, tomamos um susto. Seja como for, nunca é bom saber que apareceu uma mancha escura em qualquer exame que se faça... 

Depois de algumas semanas ela atrasou a menstruação e começou a sentir dores abdominais. Novamente voltamos a ficar preocupados com o quadro e ela voltou ao médico. Saiu de lá com a receita para fazer um exame de gravidez. WHAT???? Como assim? O cisto tinha virado um feto??? Ou será que era uma espécie de Alien? A gente não entendia mais nada! Pavor e pânico. Ficamos atônitos. A minha calma só veio depois de ouvir da boca da nega que ela, em que pese não tivesse feito o exame, tinha certeza de que não estava grávida. Bom, se a criatura que é quem vai gerir me diz que não se sente grávida, quem sou eu para discordar??? Não sei porque nessa hora lembrei do que um amigo meu sempre me dizia na época da faculdade: Cara, nunca confie num ser que sangra a vida toda uma vez por mês e nunca morre... Dito e feito: ESTAMOS GRÁVIDOS NOVAMENTE! 

É incrível o que muda na gente numa hora para outra. Não foi a mesma coisa de quando descobrimos o Bernardo, nem teria como já que não tínhamos nenhum filho antes. Mas dadas as circunstâncias, todo nosso planejamento de não termos o segundo, caiu por terra. Sim, porque não queria nem por um segundo que meu filho se sentisse rejeitado. Afinal de contas, se é para ter, que seja na mesma intensidade de antes, com toda nossa atenção e carinho voltados para a gestação. No entanto, até que a nega conseguisse falar para a chefe dela que havia "pego barriga" de novo foram semanas bem tensas. Boa parte do que dá significado à vida da Karina, passa pelo seu trabalho. É uma dedicação realmente impressionante, algo feito de corpo e alma, ao ponto de muitas vezes, perder a esposa para o sono mesmo antes de começar a novela das nove. Assim, ela somente estaria bem consigo mesma, depois de falar. E ela, como grande mulher que é, falou.

Fato é que a vida tem mais a nos alegrar do que entristecer. E tudo, absolutamente tudo esta tomando seu rumo mais uma vez. De susto ou não, na hora errada ou certa hoje temos a certeza de que cada coisa está em seu devido lugar. 

E nós que pensávamos ter atingido a perfeição, não sabíamos que ainda havia algo melhor por vir... E veio! Vai atender pelo nome de Martina. E eu, desde já, tanto e sempre, sou só amor. A princesa do papai está a caminho e meu reinado ganha um novo jardim. Desta vez de rosas... 

Este foi o melhor dia dos pais do mundo! 

Um beijo, Paizão. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

E num domingo qualquer...

Penso que uma das coisas mais difíceis de se conseguir fazer nos dias de hoje é iniciar um hábito. A gente passa a vida toda mecanicamente programado para fazer as mesmas rotinas que esquece de tentar inovar. Sou um defensor de que as pessoas mudam. Isso, claro, quando a motivação é mais forte do que aquilo que nos prende à mudança. 
No meu caso, tenho que me habituar a anotar todas as idéias que surgem para colocar no blog. Com certeza, teria posts mais seguidos...
...
Esse mês Bernardo completou um ano e meio de "vida". De fato, estava certo quando escrevi que os filhos não vem, eles vão. Na medida em que o tempo vai passando, o piá vai ficando cada vez mais independente de nós. O fato de começarem a caminhar e falar, retiram quase que completamente a necessidade que temos de fazermos absolutamente tudo por eles. Bernardo já fala quando tem fome ou sede e vai com suas próprias pernas até o lugar aonde quer brincar. 
Dia desses, ele pegou uma virose (gastroenterite viral) que nos tirou uma boa semana de sono. Considerando que ele corria o risco de regurgitar durante o sono, o passamos para nossa cama. O problema é que ele roncava feito gente grande. Sem brincadeira... Como meu sono é leve, tive que me mudar para o sofá de dois lugares da sala que me serviu de cama por um por par de dias. Resultado ou acordava totalmente quebrado de dormir lá, ou ia pra cama e não dormia por causa do ronco. Acho que desde o nascimento do Bernardo, - que sempre foi um bebê tranquilo-, foi a pior semana que passei. 
Realmente a sensação de impotência sobre a falta de controle acerca do que aflige nossos filhos é um dos piores sentimentos da paternidade. Ver um filho sofrer, sem poder minimizar a dor é torturante. Febre que não baixa, não se alimenta, não bebe, não quer brincar... a gente passa 24 horas aflito até que eles melhores e voltem a ser o que eram antes... Por azar, a semana coincidiu com diversos compromissos profissionais que não podiam ser adiados. Nessas horas que a gente percebe o valor dos familiares que de pronto se propuseram a ficar com o pequeno enquanto trabalhava, além é claro, da nega que foi incansável nos cuidados. Mas não foi nada fácil... Com certeza o cansaço mental é o pior de todos. Foi uma semana que passou como se fosse um pesadelo, mas chegou ao fim. 
E quando eu menos esperava, em meio à um domingo chuvoso de inverno, Bernardo acorda e me aparece na sala com essa cara da foto aí em cima. Tira o bico da boca e fala com jeito de quem ainda esta aprendendo a dominar a própria língua: "Aga, papai, aga". Ali estava ele, indo mais um pouco... 

A lição que fica é a de que não importa quanto você seria capaz de sofrer pelo seu filho, certas vezes na vida o sofrimento é só dele. O máximo que a gente pode fazer, nem sempre é o suficiente.


Um super beijo, Paizão. 

terça-feira, 19 de março de 2013

Day #1

Buenas, se foi a nega... Não, não sejamos tão dramáticos. Ela apenas foi viajar a trabalho para Europa e passará 8 dias longe de nós! Isso quer dizer uma coisa:

FFREEEEEEEDDDDDOOOOMM!!

Juro que essa foi a primeira sensação que me veio quando virei as costas para ela no aeroporto junto com meu filho de 01 ano e 02 meses no colo. Afinal, é a primeira vez que eu vou ficar sozinho com ele! 

Porém, foi só entrar no supermercado para comprar a comida dos próximos dias que tudo mudou. Não sei porque, mas nada que diz respeito ao Bernardo e eu, é fácil ou simples. 

Cheguei no supermercado e me lembrei que havia deixado o carrinho dele em casa para que coubessem as malas da Karina no carro. Uma mulher que trabalha com moda e vai pra Londres a trabalho não poderia ter levado malas normais. Cabíamos todos dentro da mala menor que ela levou... Bom, fui atrás daqueles carrinhos que tem lugar para colocar o bebê e fazer compras ao mesmo tempo e não havia nenhum disponível. Nisso, foram 20 minutos esperando que algum vagasse. Bernardo, que havia saído da creche às 17:00 hrs e não havia comido nada (já eram 19:30 hrs), estava insano de fome. Depois de manietar o pequeno no carrinho, fomos direto para o departamento de bolachas. Abri um pacote de Waffer de chocolate para ele enganar o estômago enquanto comprava o resto das coisas. 

Vamos a lista de compras... e eram exatamente 47 itens, aleatoriamente distribuídos por absolutamente todo o supermercado. Deixa eu explicar uma coisa para vocês: quando se faz lista de supermercado é altamente recomendável dividir os objetos pelas categorias. Frutas, material de limpeza, frios, carnes iogurtes, verduras, etc. Porque se você não fizer assim, nós homens que não temos a habilidade de enxergar supermercados como "entretenimento", podemos ficar rapidamente de mau humor. Ainda mais se estivermos sozinhos com nosso filho... 

Depois de ir e voltar de uma ponta a outra procurando molho de tomate e requeijão, leite e creme de leite, pizza e gilete, entendi que a lista não estava em ordem. Bom daí em diante tudo foi bem mais fácil.

Mas adivinhem!!!! Óbvio que o Bernardo pra me ajudar fez um cocô ÉPICO! Como estava indo para o caixa e ele com sono, resolvi deixar para troca-lo em casa. Entretanto, o negócio exalava um odor que três tias diferentes me avisaram que "havia carta no correio". Acho que pensando que eu não havia me dado conta... 

Chegamos em casa, depois de 4 viagens entre carro e elevador para descarregar as compras, fui trocar o pequeno. Bom, quando eu abri a fralda dele, eu podia jurar que a professora que deu comida para ele hoje estava de sacanagem comigo. REPUGNAVA! Era uma pasta cor de beringela que de tão fedorenta, dava pra sentir o gosto na língua! Foram uns 17 lenços úmidos para dar conta do estrago. 

Feito isso, era hora da janta. Preparei uma mamadeira de iogurte e antes mesmo de terminar, ele já estava piscando os olhos de sono. Como ele está um pouco gripado, a ordem era aplicar Sorine antes de dormir. Surgiu a dúvida: dar ou não dar? Dei... Com ele meio dormindo mesmo. E foi a pior decisão da minha vida!!! Óbvio que ele não entendeu o que estava acontecendo e acordou de vez apavorado! Isso sem contar que ele ficou uns bons 5 segundos sem respirar e eu quase bati asas atrás da nega que recém chegava em São Paulo. 

Mas depois do susto, deu tudo certo. Pintucho segue dormindo até agora e com a respiração excelente. Trocado, limpinho e de barriga cheia. Acho até que vai sobreviver.. hahahah.

Por hora, a foto acima retrata bem o sentimento. Saudade é o rastro que a felicidade deixou já dizia o poeta... 

Amanhã tem mais! 

Super Beijo, Paizão. 


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O "Upa".

Bernardo começou a caminhar há cerca de um mês. Lembro do meu post "Os filhos não vem, eles vão", e de fato minha teoria estava certa. Ele não pára mais quieto. Absolutamente tudo é motivo de descoberta. Observa e presta atenção em qualquer objeto novo que é inserido em seu campo de visão. O problema é que  somente quando a última gota de energia se esvaiu, o que demora para acontecer, o Bernardo dorme. Chega a ser engraçado ver ele tropeçando nos brinquedos ou tentando ficar com os olhos abertos para não descansar. Outra consequência que notamos é que o gasto de energia é maior que a ingestão. São cerca de  5 refeições por dia, mas a "malhação" é pesada e por isso ele engorda pouco. Meu filho nunca vai fazer o tipo "bebê Johnson". Ele esta mais para o tipo atlético. 

Mas segundo nossa Pediatra, mesmo que não esteja ganhando peso como deveria, o que importa é que está 100% saudável. E cá para nós... mil vezes um filho ativo e da pá virada do que um pasmado rechonchudo. 
...

Já que o pintucho está crescendo é normal que a gente comece a querer que eles nos imite naquilo que fazemos. Ainda temos a tendência de começar a pedir para que faça coisas que pedimos: "Diz oi!", "Dá tchau filho!", "Manda beijo!" e assim por diante. 


Foi então que certo dia começamos a pedir para o Bernardo dar um "Upa", ou seja um abraço. E ele deu... 



Dormir com o B. é divino. É a máxima sensação de proteção que você pode dar para uma pessoa. É quando a criança se entrega para você. É como se ela dissesse: "Ok, vou confiar em você e te deixar ser meu colchão." Um filho dormir no seu colo significa que ele sabe que não importa o que aconteça, ele estará protegido. 



Mas o "Upa" é algo para além disso. É a materialização da retribuição de todo carinho e amor que você tem dedicado ao seu pequeno. Uma vez me falaram que o amor pelos filhos só cresce. Eu desconfiava que fosse mentira e estava errado. De fato, o amor só aumenta. E muito deste processo em relação ao meu filho, começou depois do "Upa". Buscando na memória, não lembro quando foi que recebi um carinho tão sincero e puro. E aqui cabe um parênteses: sinceridade, na Roma antiga era o nome dado à obras de arte sine cera. É que por vezes os artistas realizam seus trabalhos em blocos de mármore maciços. Quando eles erravam alguma cosia ou talhavam com muita força, usavam uma mistura de cera de abelha para tapar o furo e esconder a imperfeição. Só que com o tempo a cera envelhecia e acabava caindo, mostrando o que estava por trás... Logo, os imperadores começaram a pedir obras de arte sine cera, ou seja sem cera = sinceridade. 



Os bebês desenvolvem um milhão de atividades por dia. Cada hora eles estão observando  algo diferente e brincando com alguma coisa. É difícil você prender a atenção deles. Quando recebi o "Upa" do B., naquele exato momento eu era o centro de toda sua atenção. Dentre o universo de coisas que ele tinha para fazer, brincar, descobrir ele queria a mim. Acho que por isso foi tão forte a sensação. Eu era o mundo dele naquela hora. E isso é o que um pai mais pode querer para seu filho: que ele sinta o amor que você tem por ele. 


E assim são os "Upas" do Bernardo. É um abraço com a alma, sem nenhum porém, sem nada em troca. É um toque no coração. Como diria Calvin para Haroldo: é um abraço tão forte, que acaba espremendo as lágrimas para fora... 


Um super "Upa", Paizão.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

6 Meses de Vida e um pai retardado...

Devo ser meio retardado. Não consigo achar outra explicação para o que tem acontecido comigo ultimamente. Além de uma sensibilidade, digamos, mais apurada, penso que estou (in)voluindo. Explico: Conforme já manifestado no blog, pela parte da manhã o Bernardo fica comigo (ainda não sei se não sou eu quem fica com ele...). No meu tempo de criança havia apenas dois canais que passavam desenho. Hoje existem 10! Mas um deles é especial. Isso porque, todo santo dia, as 09:30 horas, consigo ver "Chaves" de novo! 

Dia desses, estava passando um episódio que nunca havia assistido. Normalmente coloco o B. no tapetinho com móbile e deixo ele se deliciar com os penduricalhos. O que não percebi é que o pequeno já consegue rolar de um lado pra outro a hora que quer.. quando me dei conta de que tinha que cuidar dele ao invés de ver Chaves, o ordinário já tinha ido rolando até a cozinha!!!! Depois de um tempo de adaptação, eu e o B. já temos nosso esquema. Acordamos por volta das 8:30 horas e ficamos na função de brincar, trocar fralda e roupa. Precisamente as 09:30 horas, amarro ele na cadeirinha e assistimos juntos o "Chavo". Arrisco dizer que me divirto mais que ele... Como se não bastasse, depois do original, ainda passa o desenho animado... mas então já é hora do pai ir pro banho e deixar o filho para os cuidados da avó. Afinal, não se vive só de amor... infelizmente. A Karina disse uma frase perfeita esses dias quando conversávamos sobre esse assunto: Somos pais mais velhos que nossos pais, mas somos muito mais joviais. Ela está certa! Com a minha idade meus velhos já tinham 4 filhos e levavam a vida de um modo bem diferente do que eu costumo levar. Impossível imaginar que naquele tempo, o pai abriria mão da sua manhã para se dedicar ao filho. Evidente que não falo isso com ar de julgamento algum. Eram tempos diferentes e outras circunstâncias.

Fato é que o Bernardo acabou por renovar muita coisa que andava esquecida por aí, ou que se perdeu no caminho vida. Tirando o fato de ser um programa infantil, as piadas do Chaves e todo o contexto em que ele vive, me fazem lembrar muito a minha infância. Não pelo cenário, mas pelos amigos e pela inocência. Até meus 12 anos de idade, vivia em Estrela, interior do Rio Grande do Sul. Estudava em colégio de Freiras que dizem era de uma metodologia rígida, coisa que não me lembro já que perdia muito tempo brincando... Recordo que meu melhor amigo morava na esquina do outro lado da rua e eu no meio da quadra. Para que eu chegasse até sua casa, ou eu passava por debaixo de uma raiz gigante de uma árvore ou pulava o muro do colégio que dava na parte de trás da sua casa. Tomava banho de rio, comia cana de açúcar e furtava argila da olaria para brincar. Tinha uma cadela chamada Polly-Ana, uma gata de nome Sebastiana e muitas histórias e cicatrizes para contar...

Seja como for, ter filhos é relembrar a própria vida e imaginar como será a deles. Sei que   o Bernardo jamais terá a infância que eu tive, mas gostaria que ele preservasse algumas coisas que soube guardar da minha. Bons amigos, boa educação e a família sempre junto são com certeza o melhor conselho que poderia lhe dar. 

O filhote completou 6 meses de vida. É uma criança muito saudável e esperta. As aulas de natação o ajudam a ter um desenvolvimento acima da média. Coordena os movimentos das mãos com perfeição, mas não tem jeito de pegar mamadeira. Come de tudo! Inclusive beterraba (blartght)! Dorme bem durante a noite, em que pese depois que a nega voltou a trabalhar ele mama as 04:00 da madrugada. Disse-me a Pediatra (depois da minha experiência com essa médica, só escrevo pediatra com letra maiúscula, vide post anterior), que isso se deve a ansiedade do pequeno em perceber que logo logo a mãe vai sair para trabalhar... Não sei porque, afinal ele tem o papai só pra ele, mas tudo bem. Tenho que concordar que mãe é mãe e pai é quem cria.

Precisamente hoje, completo 200 dias com meu filho. Uma das maiores aflições que tenho é não conseguir transmitir para meus amigos o quão bom é ser pai. Queria que eles por um dia, tivessem a mesma experiência que eu tenho. De acordar todos os dias com o sorriso banguela daquela criatura que não tem motivo algum outro para sorrir, que não por simplesmente gostar de ti. Sem interesse algum, sem nada em troca, sem promessa de nada. Apenas sorrir! Fazem 200 dias que não vivo um dia comum! Todos tem um "quê" de especial. Um "B", de Bernardo. Mas sei que um dia, eles hão de me dar razão... 

Vou ficando por aqui, 

um beijão, Paizão.

terça-feira, 17 de abril de 2012

3 meses D.N.


Inacreditáveis três meses depois do nascimento. Rápidos demais eu diria. Seguido quando nos perguntam qual a idade do Bernardo, as pessoas dizem que têm saudades deste tempo. Quando podiam controlar os filhos e a maior preocupação era apenas trocar a fralda e amamentar. Com razão... Sabe-se que a língua portuguesa é uma das mais complexas que existe. Mesmo assim, o velho clichê de que faltam palavras para descrever as novas emoções, aplica-se mais uma vez. 

A Teoria da Relatividade, por mais que tentem apontá-la como falha, segue firme aqui em casa. Tanta coisa mudou, muita coisa passou e há um oceano de coisas para serem vistas, experimentadas e vividas que a impressão que tenho, como disse a nega, é de que o filho sempre existiu em nossas vidas. Já não consigo me imaginar sem ele. O tempo quando estamos juntos ganha espaço: parece curto no presente, longo no passado e distante no futuro. Levo comigo a toda hora, o primeiro sorriso que ele me deu. A primeira vez que fui reconhecido e agraciado com um riso banguela que levarei para sempre na memória.  Isso e tantas outras coisas que surgem a cada dia, renovam essa emocionante aventura e fazem dela a melhor coisa que já me aconteceu na vida. E como todo mês fizemos uma festinha, não seria diferente desta vez...


O Bernardo esta um mês e meio à frente nasua evolução. E não pense que sou eu quem esta dizendo. Isto partiu da última consulta na pediatra. Disse ela que ele será um guri bem esperto. De fato, percebo que já reconhece pessoas, pega seus brinquedos com a mão e coloca o bico de volta na boca quando cai. O sono dura cerca de 6/7 horas por noite, segue sem cólicas e à exceção de estar com fome, não chora por mais nada. Já esta bem fimezinho e controlando cada vez mais os movimentos. O que impressiona nesse processo todo, é que as transformações acontecem quando menos se espera. Dia desses, estava fazendo palhaçadas e ele se sacudia para rir. Numa dessas, ele viu uma coisa passando na frente dele e ficou acompanhando. De um lado pro outro, pra cima e pra baixo. Pronto, ele tinha descoberto as mãos! Parecia que dava para ler os pensamentos dele. Tipo: "eu faço assim, isso vai pra lá. Faço assim, vem pra cá, pro lado, pro outro.... e tem essas coisas aqui na ponta que eu posso abrir e fechar e pegar meu bico!" hahahaha. Era ele, evoluindo, se descobrindo, crescendo, desenvolvendo. O processo de aprendizado deles, não tem limites, senão os que nós mesmos colocamos.... 

A nega e eu começam a debater a questão da creche. Afinal, em junho acaba a licença maternidade dela e o retorno ao velho horário integral de trabalho é necessário. Chegamos a conclusão que o melhor era colocar logo na escolinha, afinal, quanto mais cedo a criança for, melhor para se socializar e etc... Pois é, eu também pensava assim. Mas nossa pediatra me jogou um balde de água fria. A questão é simples.... Segundo a sociedade mundial de pediatria, estudos mostram que crianças que carregam dos pais qualquer doença genética (eu tive asma, bronquite e sou alérgico), quando entram em contato com agentes que liberam esses genes antes dos dois anos de idade, tem maior tendência a desenvolver a doença em comparação com aquelas que pegam os mesmos agentes após os dois anos de idade. O sistema imunológico delas esta mais preparado. Mas atenção, isso não quer dizer que a criança tenha que ficar enclausurada dentro de casa. O contágio de eventuais doenças acontece com a convivência por mais de 4 horas com outros bebês. Logo, você ainda pode levá-lo na natação, aula de música e demais atividades especiais para eles. Tal, vai ser o nosso caso. Bernardo iria começar natação por agora, não fosse uma tosse que pegamos. 

Sobre esse assunto, posso afirmar: dói demais ver nossos filhos sofrerem. Por conta dessa tosse, tivemos que fazer nebulização no pequeno. Bom, não preciso dizer da cara de choro dos dois quando fizemos a primeira inalação. É de cortar o coração ver aquela coisinha tão pequena e frágil, sofrendo. A máscara do aparelho, mesmo a menor, fica gigante da carinha dele... O que nos alivia é ver que ele segue alegre, sorridente e feliz! A primeira doença, a gente nunca esquece!

Segue a foto do gordo para vocês!!!

 
 E com esse sorriso gostoso, vou encerrando mais um post! 
 
Um super beijo, Paizão!