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quinta-feira, 2 de abril de 2015

É o meu melhor desejo...

 Eu amo meus amigos. De verdade. Sinto saudades, sofro junto, tenho ciúmes (mas não assumo) e adoro estar com eles. 
Considerando que sou quem há mais tempo mantém um relacionamento estável dentre a grande maioria dos casais que conheço, posso dizer que muito do meu casamento se deve às amizades que construímos e mantemos durante todo esse tempo. 
Já passei por poucas e boas para chegar até aqui e digo que não foi fácil. Mas exatamente essas dificuldades do passado são o que me mantém firme quando a coisa não vai bem. E os amigos, são tudo, quando mais precisamos deles. 
Tenho uma dívida de gratidão com um punhado de pessoas. Mas especialmente hoje, quero agradecer duas muito especiais pela amizade incondicional. Ao Guilherme e Laura. 

E digo hoje, porque desde o casamento deles, devia um texto com meu desejo de felicidades para o casal. Fato é que cada vez que tentava escrever, nada saía. Não conseguia dimensionar o tanto que lhes quero bem em palavras. Existem alguns sentimentos que precisam ser vividos para que se possa precisar sua real importância e significado. Eu sempre quis ser pai. Nunca me pairou qualquer mínima dúvida sobre isso. E confesso que minha realização no plano sentimental no que atine à felicidade veio depois do Bernardo e da Martina. Ser pai é definitivamente a melhor coisa do mundo. 

Acordo com o homem aranha todos os dias, e vou dormir com a bela adormecida. Chego em casa e a Martina (que recém aprendeu a caminhar), vem cambaleando de um lado pro outro me dar um abraço. E mesmo que ela venha em zig-zag, ela sabe aonde quer chegar. E não importa o que esteja na frente, ela chega... Um pedaço de papel vira um céu estrelado e o porta-copos uma estrela ninja. "Na concha vive uma pélula" né papai? E assim por diante...  É como se a cada minuto a gente fosse metralhado com fofurices. 
Redesenha-se, quando se é pai, a definição da palavra amor. 

Então meus queridos amigos, saber da gravidez de vocês realizou meu desejo mais profundo. Que vocês possam experimentar esse sentimento que hoje eu tenho, como o de olhar para a foto acima e sentir vontade de chorar de amor. Receber a notícia, me faz lembrar de tudo que eu vivi e sinto pelos meus filhos. É impossível não se emocionar. Sobretudo porque, pelo que fazem pelos meus, tenho certeza de que serão excepcionais pais! Que sorte tem essa menina...

Gracias pela amizade e sejam bem-vindos ao clube dos "só quem tem sabe". Vocês merecem muito essa felicidade! 

Mega beijo, S.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Nada vai ser como antes...

Definitivamente, ter dois filhos não é a mesma coisa que ter um. A explicação, por mais clara que pareça ser é complexa. Quando se tem o primeiro, não há um anterior. Primeiro é primeiro e isso faz toda diferença do mundo. Especialmente para quem resolve ter o segundo logo em seguida. 

Eu lembro que minha irmã mais velha teve dois com uma diferença de um ano e alguns dias entre eles. Foi complicado, bem complicado. Isso porque os dois ainda eram muito dependentes dos pais então não havia descanso. Um dormia, outro acordava, um tinha fome, outro tinha que arrotar, dois no banho, dois pra vestir e assim por diante. Há um amigo meu que disse: um filho é um. Dois são quatro! 

Lembro que minha primeira preocupação sobre ter dois era se conseguiria dividir o amor e a atenção entre eles. Como disse a nega, não se trata de divisão, mas adição. Óbvio, não vou pegar o amor que sinto pelo Bernardo e passar metade para a pequena.... Pensar desta forma faz toda diferença do mundo. A gente se cobra muito tentando agir da mesma forma com os dois filhos. Acabamos por esquecer que o tempo é linear e o que passou existiu numa determinada conjectura de espaço e de tempo que jamais se repetirão. Tentar agir da mesma forma entre os filhos, no meu modo de pensar, é desrespeitar a individualidade de cada um. Nós já não somos os mesmos desde a primeira gravidez. Aprendemos muito com a experiência que vivemos e não podemos ignorar isso. Pelo contrário, temos que pegar os atalhos, despejar o que não serve e tirar o máximo proveito das coisas boas. Evidente que os princípios serão os mesmos e os valores a serem repassados igualmente. Mas a receita fatalmente vai sofrer alterações.

Não se culpe pelo processo ser diferente do que foi o primeiro. Dia desses a nega estava chateada porque não estava curtindo essa gravidez como a primeira. Bueno, evidente que você não vai ter  o mesmo processo. Lembre-se: antes de ter o primeiro, você não tinha o primeiro. O que importa no fundo é que não falte amor, carinho, respeito e cuidado com o novo pequeno. E isso a Martina vai ter de sobra. O resto é só o resto. As circunstâncias da vida nunca serão as mesmas, mas assim como na primeira vez tudo se ajeita. Você vai conseguir! 

Estamos aos poucos introduzindo a idéia da "mana" no Bernardo. Seguido falamos com a barriga, fazemos carinho e beijamos ela. O problema é que quando pergunto para ele aonde está a Martina, ele aponta para a própria barriga! Uma forma que encontramos de lidar, foi começar a diferenciar os meninos das meninas nas histórias dos livros. As gurias nós chamamos de "mana" para que ele comece a diferenciar os personagens da sua vida. Assim, quando eles brigarem pelos brinquedos, poderemos dizer, isso é da mana ou isso é do mano... Até agora tem funcionado bem, à exceção de uma boneca que ele insiste em ter como se sua fosse.

Vou ficando por aqui na certeza de que muita coisa boa ainda esta por vir.

Super Beijo, 

Paizão. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

E num domingo qualquer...

Penso que uma das coisas mais difíceis de se conseguir fazer nos dias de hoje é iniciar um hábito. A gente passa a vida toda mecanicamente programado para fazer as mesmas rotinas que esquece de tentar inovar. Sou um defensor de que as pessoas mudam. Isso, claro, quando a motivação é mais forte do que aquilo que nos prende à mudança. 
No meu caso, tenho que me habituar a anotar todas as idéias que surgem para colocar no blog. Com certeza, teria posts mais seguidos...
...
Esse mês Bernardo completou um ano e meio de "vida". De fato, estava certo quando escrevi que os filhos não vem, eles vão. Na medida em que o tempo vai passando, o piá vai ficando cada vez mais independente de nós. O fato de começarem a caminhar e falar, retiram quase que completamente a necessidade que temos de fazermos absolutamente tudo por eles. Bernardo já fala quando tem fome ou sede e vai com suas próprias pernas até o lugar aonde quer brincar. 
Dia desses, ele pegou uma virose (gastroenterite viral) que nos tirou uma boa semana de sono. Considerando que ele corria o risco de regurgitar durante o sono, o passamos para nossa cama. O problema é que ele roncava feito gente grande. Sem brincadeira... Como meu sono é leve, tive que me mudar para o sofá de dois lugares da sala que me serviu de cama por um por par de dias. Resultado ou acordava totalmente quebrado de dormir lá, ou ia pra cama e não dormia por causa do ronco. Acho que desde o nascimento do Bernardo, - que sempre foi um bebê tranquilo-, foi a pior semana que passei. 
Realmente a sensação de impotência sobre a falta de controle acerca do que aflige nossos filhos é um dos piores sentimentos da paternidade. Ver um filho sofrer, sem poder minimizar a dor é torturante. Febre que não baixa, não se alimenta, não bebe, não quer brincar... a gente passa 24 horas aflito até que eles melhores e voltem a ser o que eram antes... Por azar, a semana coincidiu com diversos compromissos profissionais que não podiam ser adiados. Nessas horas que a gente percebe o valor dos familiares que de pronto se propuseram a ficar com o pequeno enquanto trabalhava, além é claro, da nega que foi incansável nos cuidados. Mas não foi nada fácil... Com certeza o cansaço mental é o pior de todos. Foi uma semana que passou como se fosse um pesadelo, mas chegou ao fim. 
E quando eu menos esperava, em meio à um domingo chuvoso de inverno, Bernardo acorda e me aparece na sala com essa cara da foto aí em cima. Tira o bico da boca e fala com jeito de quem ainda esta aprendendo a dominar a própria língua: "Aga, papai, aga". Ali estava ele, indo mais um pouco... 

A lição que fica é a de que não importa quanto você seria capaz de sofrer pelo seu filho, certas vezes na vida o sofrimento é só dele. O máximo que a gente pode fazer, nem sempre é o suficiente.


Um super beijo, Paizão. 

terça-feira, 19 de março de 2013

Day #1

Buenas, se foi a nega... Não, não sejamos tão dramáticos. Ela apenas foi viajar a trabalho para Europa e passará 8 dias longe de nós! Isso quer dizer uma coisa:

FFREEEEEEEDDDDDOOOOMM!!

Juro que essa foi a primeira sensação que me veio quando virei as costas para ela no aeroporto junto com meu filho de 01 ano e 02 meses no colo. Afinal, é a primeira vez que eu vou ficar sozinho com ele! 

Porém, foi só entrar no supermercado para comprar a comida dos próximos dias que tudo mudou. Não sei porque, mas nada que diz respeito ao Bernardo e eu, é fácil ou simples. 

Cheguei no supermercado e me lembrei que havia deixado o carrinho dele em casa para que coubessem as malas da Karina no carro. Uma mulher que trabalha com moda e vai pra Londres a trabalho não poderia ter levado malas normais. Cabíamos todos dentro da mala menor que ela levou... Bom, fui atrás daqueles carrinhos que tem lugar para colocar o bebê e fazer compras ao mesmo tempo e não havia nenhum disponível. Nisso, foram 20 minutos esperando que algum vagasse. Bernardo, que havia saído da creche às 17:00 hrs e não havia comido nada (já eram 19:30 hrs), estava insano de fome. Depois de manietar o pequeno no carrinho, fomos direto para o departamento de bolachas. Abri um pacote de Waffer de chocolate para ele enganar o estômago enquanto comprava o resto das coisas. 

Vamos a lista de compras... e eram exatamente 47 itens, aleatoriamente distribuídos por absolutamente todo o supermercado. Deixa eu explicar uma coisa para vocês: quando se faz lista de supermercado é altamente recomendável dividir os objetos pelas categorias. Frutas, material de limpeza, frios, carnes iogurtes, verduras, etc. Porque se você não fizer assim, nós homens que não temos a habilidade de enxergar supermercados como "entretenimento", podemos ficar rapidamente de mau humor. Ainda mais se estivermos sozinhos com nosso filho... 

Depois de ir e voltar de uma ponta a outra procurando molho de tomate e requeijão, leite e creme de leite, pizza e gilete, entendi que a lista não estava em ordem. Bom daí em diante tudo foi bem mais fácil.

Mas adivinhem!!!! Óbvio que o Bernardo pra me ajudar fez um cocô ÉPICO! Como estava indo para o caixa e ele com sono, resolvi deixar para troca-lo em casa. Entretanto, o negócio exalava um odor que três tias diferentes me avisaram que "havia carta no correio". Acho que pensando que eu não havia me dado conta... 

Chegamos em casa, depois de 4 viagens entre carro e elevador para descarregar as compras, fui trocar o pequeno. Bom, quando eu abri a fralda dele, eu podia jurar que a professora que deu comida para ele hoje estava de sacanagem comigo. REPUGNAVA! Era uma pasta cor de beringela que de tão fedorenta, dava pra sentir o gosto na língua! Foram uns 17 lenços úmidos para dar conta do estrago. 

Feito isso, era hora da janta. Preparei uma mamadeira de iogurte e antes mesmo de terminar, ele já estava piscando os olhos de sono. Como ele está um pouco gripado, a ordem era aplicar Sorine antes de dormir. Surgiu a dúvida: dar ou não dar? Dei... Com ele meio dormindo mesmo. E foi a pior decisão da minha vida!!! Óbvio que ele não entendeu o que estava acontecendo e acordou de vez apavorado! Isso sem contar que ele ficou uns bons 5 segundos sem respirar e eu quase bati asas atrás da nega que recém chegava em São Paulo. 

Mas depois do susto, deu tudo certo. Pintucho segue dormindo até agora e com a respiração excelente. Trocado, limpinho e de barriga cheia. Acho até que vai sobreviver.. hahahah.

Por hora, a foto acima retrata bem o sentimento. Saudade é o rastro que a felicidade deixou já dizia o poeta... 

Amanhã tem mais! 

Super Beijo, Paizão. 


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O "Upa".

Bernardo começou a caminhar há cerca de um mês. Lembro do meu post "Os filhos não vem, eles vão", e de fato minha teoria estava certa. Ele não pára mais quieto. Absolutamente tudo é motivo de descoberta. Observa e presta atenção em qualquer objeto novo que é inserido em seu campo de visão. O problema é que  somente quando a última gota de energia se esvaiu, o que demora para acontecer, o Bernardo dorme. Chega a ser engraçado ver ele tropeçando nos brinquedos ou tentando ficar com os olhos abertos para não descansar. Outra consequência que notamos é que o gasto de energia é maior que a ingestão. São cerca de  5 refeições por dia, mas a "malhação" é pesada e por isso ele engorda pouco. Meu filho nunca vai fazer o tipo "bebê Johnson". Ele esta mais para o tipo atlético. 

Mas segundo nossa Pediatra, mesmo que não esteja ganhando peso como deveria, o que importa é que está 100% saudável. E cá para nós... mil vezes um filho ativo e da pá virada do que um pasmado rechonchudo. 
...

Já que o pintucho está crescendo é normal que a gente comece a querer que eles nos imite naquilo que fazemos. Ainda temos a tendência de começar a pedir para que faça coisas que pedimos: "Diz oi!", "Dá tchau filho!", "Manda beijo!" e assim por diante. 


Foi então que certo dia começamos a pedir para o Bernardo dar um "Upa", ou seja um abraço. E ele deu... 



Dormir com o B. é divino. É a máxima sensação de proteção que você pode dar para uma pessoa. É quando a criança se entrega para você. É como se ela dissesse: "Ok, vou confiar em você e te deixar ser meu colchão." Um filho dormir no seu colo significa que ele sabe que não importa o que aconteça, ele estará protegido. 



Mas o "Upa" é algo para além disso. É a materialização da retribuição de todo carinho e amor que você tem dedicado ao seu pequeno. Uma vez me falaram que o amor pelos filhos só cresce. Eu desconfiava que fosse mentira e estava errado. De fato, o amor só aumenta. E muito deste processo em relação ao meu filho, começou depois do "Upa". Buscando na memória, não lembro quando foi que recebi um carinho tão sincero e puro. E aqui cabe um parênteses: sinceridade, na Roma antiga era o nome dado à obras de arte sine cera. É que por vezes os artistas realizam seus trabalhos em blocos de mármore maciços. Quando eles erravam alguma cosia ou talhavam com muita força, usavam uma mistura de cera de abelha para tapar o furo e esconder a imperfeição. Só que com o tempo a cera envelhecia e acabava caindo, mostrando o que estava por trás... Logo, os imperadores começaram a pedir obras de arte sine cera, ou seja sem cera = sinceridade. 



Os bebês desenvolvem um milhão de atividades por dia. Cada hora eles estão observando  algo diferente e brincando com alguma coisa. É difícil você prender a atenção deles. Quando recebi o "Upa" do B., naquele exato momento eu era o centro de toda sua atenção. Dentre o universo de coisas que ele tinha para fazer, brincar, descobrir ele queria a mim. Acho que por isso foi tão forte a sensação. Eu era o mundo dele naquela hora. E isso é o que um pai mais pode querer para seu filho: que ele sinta o amor que você tem por ele. 


E assim são os "Upas" do Bernardo. É um abraço com a alma, sem nenhum porém, sem nada em troca. É um toque no coração. Como diria Calvin para Haroldo: é um abraço tão forte, que acaba espremendo as lágrimas para fora... 


Um super "Upa", Paizão.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

6 Meses de Vida e um pai retardado...

Devo ser meio retardado. Não consigo achar outra explicação para o que tem acontecido comigo ultimamente. Além de uma sensibilidade, digamos, mais apurada, penso que estou (in)voluindo. Explico: Conforme já manifestado no blog, pela parte da manhã o Bernardo fica comigo (ainda não sei se não sou eu quem fica com ele...). No meu tempo de criança havia apenas dois canais que passavam desenho. Hoje existem 10! Mas um deles é especial. Isso porque, todo santo dia, as 09:30 horas, consigo ver "Chaves" de novo! 

Dia desses, estava passando um episódio que nunca havia assistido. Normalmente coloco o B. no tapetinho com móbile e deixo ele se deliciar com os penduricalhos. O que não percebi é que o pequeno já consegue rolar de um lado pra outro a hora que quer.. quando me dei conta de que tinha que cuidar dele ao invés de ver Chaves, o ordinário já tinha ido rolando até a cozinha!!!! Depois de um tempo de adaptação, eu e o B. já temos nosso esquema. Acordamos por volta das 8:30 horas e ficamos na função de brincar, trocar fralda e roupa. Precisamente as 09:30 horas, amarro ele na cadeirinha e assistimos juntos o "Chavo". Arrisco dizer que me divirto mais que ele... Como se não bastasse, depois do original, ainda passa o desenho animado... mas então já é hora do pai ir pro banho e deixar o filho para os cuidados da avó. Afinal, não se vive só de amor... infelizmente. A Karina disse uma frase perfeita esses dias quando conversávamos sobre esse assunto: Somos pais mais velhos que nossos pais, mas somos muito mais joviais. Ela está certa! Com a minha idade meus velhos já tinham 4 filhos e levavam a vida de um modo bem diferente do que eu costumo levar. Impossível imaginar que naquele tempo, o pai abriria mão da sua manhã para se dedicar ao filho. Evidente que não falo isso com ar de julgamento algum. Eram tempos diferentes e outras circunstâncias.

Fato é que o Bernardo acabou por renovar muita coisa que andava esquecida por aí, ou que se perdeu no caminho vida. Tirando o fato de ser um programa infantil, as piadas do Chaves e todo o contexto em que ele vive, me fazem lembrar muito a minha infância. Não pelo cenário, mas pelos amigos e pela inocência. Até meus 12 anos de idade, vivia em Estrela, interior do Rio Grande do Sul. Estudava em colégio de Freiras que dizem era de uma metodologia rígida, coisa que não me lembro já que perdia muito tempo brincando... Recordo que meu melhor amigo morava na esquina do outro lado da rua e eu no meio da quadra. Para que eu chegasse até sua casa, ou eu passava por debaixo de uma raiz gigante de uma árvore ou pulava o muro do colégio que dava na parte de trás da sua casa. Tomava banho de rio, comia cana de açúcar e furtava argila da olaria para brincar. Tinha uma cadela chamada Polly-Ana, uma gata de nome Sebastiana e muitas histórias e cicatrizes para contar...

Seja como for, ter filhos é relembrar a própria vida e imaginar como será a deles. Sei que   o Bernardo jamais terá a infância que eu tive, mas gostaria que ele preservasse algumas coisas que soube guardar da minha. Bons amigos, boa educação e a família sempre junto são com certeza o melhor conselho que poderia lhe dar. 

O filhote completou 6 meses de vida. É uma criança muito saudável e esperta. As aulas de natação o ajudam a ter um desenvolvimento acima da média. Coordena os movimentos das mãos com perfeição, mas não tem jeito de pegar mamadeira. Come de tudo! Inclusive beterraba (blartght)! Dorme bem durante a noite, em que pese depois que a nega voltou a trabalhar ele mama as 04:00 da madrugada. Disse-me a Pediatra (depois da minha experiência com essa médica, só escrevo pediatra com letra maiúscula, vide post anterior), que isso se deve a ansiedade do pequeno em perceber que logo logo a mãe vai sair para trabalhar... Não sei porque, afinal ele tem o papai só pra ele, mas tudo bem. Tenho que concordar que mãe é mãe e pai é quem cria.

Precisamente hoje, completo 200 dias com meu filho. Uma das maiores aflições que tenho é não conseguir transmitir para meus amigos o quão bom é ser pai. Queria que eles por um dia, tivessem a mesma experiência que eu tenho. De acordar todos os dias com o sorriso banguela daquela criatura que não tem motivo algum outro para sorrir, que não por simplesmente gostar de ti. Sem interesse algum, sem nada em troca, sem promessa de nada. Apenas sorrir! Fazem 200 dias que não vivo um dia comum! Todos tem um "quê" de especial. Um "B", de Bernardo. Mas sei que um dia, eles hão de me dar razão... 

Vou ficando por aqui, 

um beijão, Paizão.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Um dia na Pediatra.

Buenas, já que me propus a entrar de cabeça nessa história toda de ser um pai participativo e tudo mais, fui encarregado de levar o Bernardo na pediatra. Até então tudo bem, nada complicado correto? Errado, deu tudo errado.

Normalmente a coisa funciona assim: a Karina deixa tudo pronto, roupa, comida, bico, mamadeira e etc. Quando ela sai para trabalhar, só tenho que ir encaixando as peças. Ocorre que a pediatra era novidade, não fazia parte da rotina. Na minha cabeça era só pegar o filho e ir. Nenhuma outra instrução me foi passada! Foi exatamente o que fiz...

Chegando no consultório, havia duas mães, uma babá e três crianças no local. Tudo tranquilo até então. Estava me achando o máximo. Afinal, único pai presente, todo orgulhoso, escritor de um blog sobre a gravidez e tal. Porém, chegaram mais de 17 mães no consultório e eu acabei me  tornando a única espécime masculina no recinto. A partir de então, eu já comecei a desconfiar da minha boa-vontade de levar o filho no médico. Pôxa, será que só eu faço isso? Será que não é função única e exclusiva da mãe essas empreitadas?
Papo vai, papo vem, todo mundo feliz contando as alegrias e as dores dos filhos. Pelo que pude perceber, não existe pai que esteja 100% certo nunca! Como gostam de falar mal da minha categoria... Ou é porque não acordam de madrugada, ou porque não sabem trocar, ou arrumar, ou qualquer outra coisa que simplesmente não seja o jeito delas de fazer, não importa. Nós estamos sempre errados!

Mas enfim, em que pese minha vontade de falar umas verdades, numericamente eu estava em desvantagem. A preservação da vida falou mais alto. Mas o melhor estava por vir... O Bernardo é uma criança muito sossegada e simpática. Basta um "oi" mais meloso e ele abre o sorriso. A certa altura, no meio das suas risadas, ele começou a mudar o semblante. Era como se estivesse fazendo força, muita força. Eu, que já tinha visto essa expressão em outras ocasiões, sabia o que isso significava... Bom amigos, sabe quando você fica uns três dias sem ir aos pés? Pois esse acúmulo todo resolveu vim à tona... E veio, veio, VEIO!!! Senhores eu juro: tinha cocô até na nuca dele!
Eu fiquei em estado catatônico. Primeiro porque o cheiro tomou conta do ambiente todo. E eu, ao invés de assumir a autoria do filho que havia feito aquilo, tentei manter a elegância. Só que cada vez que uma mãe vinha em direção à ele eu entrava em pânico! Vai que a desgraçada resolvesse pegar ele no colo?? O que eu ia dizer??? Na dúvida eu pegava ele no colo e dizia: ele tá com soninho!!! Só que nisso, eu espalhava mais a coisa pelo resto do corpo...

Segundo, porque eu tinha esquecido toda a mala dele no carro! Não tinha uma fralda para trocar ele e sequer outra roupa! Pessoal, eu acho que nunca na minha vida fiquei tão nervoso! A situação era tão esdrúxula, tão inimaginável que eu suava frio! Foram os minutos mais longos por mim vividos.

Quando a Dra. abriu a porta e nos chamou, juro, eu era o cara mais feliz do mundo. Parecia que tinha visto a bandeira americana anunciando o fim da guerra! Eu me joguei nos pés dela e ofereci o Bernardo tal como o servo egípcio oferece presente aos Deuses.

Bom, na medida em que a Dra., foi trocando o filho, fui me acalmando. Consegui guardar algumas informações importantes sobre a consulta e no final o prejuízo foi de um body que tivemos que botar fora. Parando para pensar agora sobre tudo, dou risada. Mas não foi nada engraçado na hora. Enfim, o que vale foi a lição: NUNCA LEVE SEU FILHO AO PEDIATRA! ahahahah Brincadeira pessoal. Cada dia que passa é uma lição nova. Aprendi que organizar as coisas antes de fazer qualquer programação é fundamental para o sucesso da empreitada!

Vou ficando por aqui!!

Super Beijo, Paizão!

terça-feira, 17 de abril de 2012

3 meses D.N.


Inacreditáveis três meses depois do nascimento. Rápidos demais eu diria. Seguido quando nos perguntam qual a idade do Bernardo, as pessoas dizem que têm saudades deste tempo. Quando podiam controlar os filhos e a maior preocupação era apenas trocar a fralda e amamentar. Com razão... Sabe-se que a língua portuguesa é uma das mais complexas que existe. Mesmo assim, o velho clichê de que faltam palavras para descrever as novas emoções, aplica-se mais uma vez. 

A Teoria da Relatividade, por mais que tentem apontá-la como falha, segue firme aqui em casa. Tanta coisa mudou, muita coisa passou e há um oceano de coisas para serem vistas, experimentadas e vividas que a impressão que tenho, como disse a nega, é de que o filho sempre existiu em nossas vidas. Já não consigo me imaginar sem ele. O tempo quando estamos juntos ganha espaço: parece curto no presente, longo no passado e distante no futuro. Levo comigo a toda hora, o primeiro sorriso que ele me deu. A primeira vez que fui reconhecido e agraciado com um riso banguela que levarei para sempre na memória.  Isso e tantas outras coisas que surgem a cada dia, renovam essa emocionante aventura e fazem dela a melhor coisa que já me aconteceu na vida. E como todo mês fizemos uma festinha, não seria diferente desta vez...


O Bernardo esta um mês e meio à frente nasua evolução. E não pense que sou eu quem esta dizendo. Isto partiu da última consulta na pediatra. Disse ela que ele será um guri bem esperto. De fato, percebo que já reconhece pessoas, pega seus brinquedos com a mão e coloca o bico de volta na boca quando cai. O sono dura cerca de 6/7 horas por noite, segue sem cólicas e à exceção de estar com fome, não chora por mais nada. Já esta bem fimezinho e controlando cada vez mais os movimentos. O que impressiona nesse processo todo, é que as transformações acontecem quando menos se espera. Dia desses, estava fazendo palhaçadas e ele se sacudia para rir. Numa dessas, ele viu uma coisa passando na frente dele e ficou acompanhando. De um lado pro outro, pra cima e pra baixo. Pronto, ele tinha descoberto as mãos! Parecia que dava para ler os pensamentos dele. Tipo: "eu faço assim, isso vai pra lá. Faço assim, vem pra cá, pro lado, pro outro.... e tem essas coisas aqui na ponta que eu posso abrir e fechar e pegar meu bico!" hahahaha. Era ele, evoluindo, se descobrindo, crescendo, desenvolvendo. O processo de aprendizado deles, não tem limites, senão os que nós mesmos colocamos.... 

A nega e eu começam a debater a questão da creche. Afinal, em junho acaba a licença maternidade dela e o retorno ao velho horário integral de trabalho é necessário. Chegamos a conclusão que o melhor era colocar logo na escolinha, afinal, quanto mais cedo a criança for, melhor para se socializar e etc... Pois é, eu também pensava assim. Mas nossa pediatra me jogou um balde de água fria. A questão é simples.... Segundo a sociedade mundial de pediatria, estudos mostram que crianças que carregam dos pais qualquer doença genética (eu tive asma, bronquite e sou alérgico), quando entram em contato com agentes que liberam esses genes antes dos dois anos de idade, tem maior tendência a desenvolver a doença em comparação com aquelas que pegam os mesmos agentes após os dois anos de idade. O sistema imunológico delas esta mais preparado. Mas atenção, isso não quer dizer que a criança tenha que ficar enclausurada dentro de casa. O contágio de eventuais doenças acontece com a convivência por mais de 4 horas com outros bebês. Logo, você ainda pode levá-lo na natação, aula de música e demais atividades especiais para eles. Tal, vai ser o nosso caso. Bernardo iria começar natação por agora, não fosse uma tosse que pegamos. 

Sobre esse assunto, posso afirmar: dói demais ver nossos filhos sofrerem. Por conta dessa tosse, tivemos que fazer nebulização no pequeno. Bom, não preciso dizer da cara de choro dos dois quando fizemos a primeira inalação. É de cortar o coração ver aquela coisinha tão pequena e frágil, sofrendo. A máscara do aparelho, mesmo a menor, fica gigante da carinha dele... O que nos alivia é ver que ele segue alegre, sorridente e feliz! A primeira doença, a gente nunca esquece!

Segue a foto do gordo para vocês!!!

 
 E com esse sorriso gostoso, vou encerrando mais um post! 
 
Um super beijo, Paizão! 

sábado, 17 de março de 2012

Passa rápido demais...


Desculpa pessoal. Realmente demorei para escrever esse novo post. Não por falta de inspiração ou qualquer outra coisa do tipo, mas por não ter tempo de sentar e organizar as ideias. 

São tantas novas sensações que surgem todos os dias, que fica difícil acompanhar o ritmo das mudanças que acontecem na vida da gente. Todas, porém, boas. Acho que já havia escrito em algum post passado, da certeza que tinha que ser pai era algo maravilhoso. Não imaginava que fosse tanto assim.

Nas primeiras semanas de vida, cada movimento, choro ou algo de novo que o filho fizesse era motivo de apreensão. Afinal, você esta sendo pai pela primeira vez! Não sabe se o choro é de dor, de fome ou de fralda cheia. Aqui em casa, resolvemos que ele dormiria desde o primeiro dia no berço dele. Conseguimos a muito custo manter essa rotina. Mas claro, dói e tem um preço. De meia em meia hora acordava para ver se estava tudo bem com o piá! A Karina então nem se fala! Quase não dormia em razão das mamadas a cada três horas. Entre dar o peito, fazer arrotar e dormir, sobrava um tempo de menos de hora para tentar tirar um cochilo. A principal preocupação, era a do afogamento. Ouve-se muitas histórias sobre bebês que se acidentam por causa da regurgitação. Aliás, você que esta grávido ou pensa em engravidar, se prepare: muitas pessoas vão lhe contar histórias tristes sobre desastres com crianças e tragédias cabeludas... Fica a dica: se você tem algum amigo grávido ou que vai engravidar, enfie esses contos horripilantes em qualquer lugar ou guarde-os para contar para seus filhos!! Cada vez que alguém começava a contar algo assim, eu tinha vontade de mandar a pessoa "catar tatu!" 

Houve noite em que o filho não queria dormir de jeito nenhum. Mas bastava pegá-lo no colo ou conversar com ele que logo se acalmava e dormia. Absolutamente tudo é novidade. Então, o segredo é não se desesperar. Como diria meu amigo Daniel, se a criança esta alimentada e trocada, o choro ou é dor, ou é sono... Mantenha sempre a calma e lembre-se que o filhote não sabe absolutamente nada do mundo aqui fora. Ele depende 100% de você! E isso meu amigo é a responsabilidade de ser pai.  ATENÇÃO: se você ainda não sabe, a paternidade implica diretamente em mudar seu ritmo de vida!!! Logo, antes de reclamar que você tem que acordar de madrugada, tem que cuidar dele 24 horas por dia, dar banho, trocar, vestir e etc, lembre-se que isso é ser pai e vem junto no pacote das risadas que ele der, das alegrias e dos motivos de orgulho que dará... Você precisará suprir as necessidades do filho na medida em que elas vão surgindo e ele exigindo. Não pense em ter um sem estar disposto a ser pai! Mas o melhor disso tudo, está no fato de que em nenhum momento, deixar de ir ao estádio de futebol torcer pelo seu time do coração, deixar de ir jogar bola ou ir no bar com os amigos, será algo penoso. Pelo contrário, você vai querer e preferir estar com seu filho, ao invés de fazer qualquer outra coisa.. pelo menos comigo foi assim. Evidente que passado um mês de vida do Bernardo, voltei a trabalhar no ritmo quase normal, ir ao estádio e jantar fora com os amigos. Mas em qualquer lugar que eu vá, levo a saudade comigo apertada no peito...

O Bernardo é a criança que todo casal pediu à Deus. Não tem cólica alguma e, à exceção de chorar para mamar ou rançar para dormir, esta sempre tranquilo. Sorri com qualquer bobagem que se faça e as vezes nem isso precisa. É algo muito louco, mas lembro perfeitamente o primeiro dia que ele sorriu para mim. Nos outros que haviam se passado, ele parecia fora do ar e você e um tijolo, não tinham diferença alguma. Olhava para o além e não via nada! Isso é normal, considerando que eles ainda não tem a visão completamente desenvolvida e não conseguem focar objetos com precisão. Agora já tenho certeza que ele reconhece quem é o pai dele... A máxima aquela, faz muito sentido: Pai é quem cria! 

Motivo de brigas aqui em casa foram as visitas! Eu estava louco para me exibir com o filho e a Karina louca que o mundo se explodisse! Claro, é preciso entender a mãe, afinal ela não tem tempo para fazer absolutamente nada! Então não se apavore se um dia você chegar em casa e sua mulher tiver se transformado num pitbull raivoso! Tudo faz parte do instinto protetivo e é para o bem estar do seu filhote. Mas concordo com ela que as visitas atrapalham no começo, porque você ainda não tem a rotina certa do bebê, não sabe identificar os choros e tudo parece mais grave do que realmente é! 

Hoje é o segundo dia que o Bernardo dorme as 23:00 horas e vai acordar as 05:00 horas para mamar. Não preciso dizer que fazem dois dias que a Karina esta de excelente humor! Com isso, conseguimos receber os amigos sem mudar em absoluto a rotina. Receber o carinho dos amigos, o afeto dos parentes e as energias positivas nos deixam muito tranquilos em relação ao modo que estamos criando o filho. Umas das melhores alegrias de escrever o blog reside nisso. As mensagens de apoio, os comentários e as conversas com o pessoal que nos acompanha nos deixam seguros para seguir nessa jornada. E quando se tem confiança no que se esta fazendo, pode cair o mundo que você vai achar aonde se segurar!

Vou terminando por aqui com a certeza de que escrevi pouco, do tanto que tenho para relatar. Mas uma última informação: Ele era para ter engordado 700 gr. e crescido 5 cm, no segundo mês de vida.... cresceu 1,100kg e cresceu 8 cm... Será excesso de amor??? Só pode! 

Olha a foto do gordo! 
Um super beijo, Paizão!

domingo, 15 de janeiro de 2012

O NASCIMENTO!



Dizem que quando você tem muita coisa para escrever e não sabe como, há que se começar pelo princípio. Não haveria outra saída para esse post que não essa. Então, lá vamos nós!
Na semana do dia 02 de janeiro, tínhamos 03 médicos marcados: pediatra, ecografia e obstetra. Nessa ordem. A médica que escolhemos para cuidar do nosso pequeno após o nascimento tem uma filosofia bem interessante de trabalho. Ela atende somente pacientes cujos bebês ainda estejam dentro da barriga. Não adianta chegar lá depois que ele nasceu. A impressão que tenho é de que ela deseja manter um vínculo intra-uterino para depois o nenê estar mais acostumado com sua voz e etc. E por mais que tenha acompanhado a gestação dos meus 04 sobrinhos de perto, me senti um novato diante de tanta informação. Absolutamente todos os conselhos, deram certo! Parece mágica. 

O próximo passo era a ecografia. Mais um "presente" do nosso obstetra do que necessidade médica. Nosso bebê estava um pouco alto ainda, pensando aproximados 3.300kg e medindo cerca de 50cm. Fluxo sanguíneo excelente, liquido aminótico também. Só faltava nascer. 
Chegamos no obstetra na quinta-feira. Depois do exame, considerando que não havia dilatação, apenas contração, ficou decidido que se nada acontecesse até segunda-feira dia 09, marcaríamos a cesariana. Realmente estávamos chegando ao final da gestação e a barriga da nega já começava a deixar saudades. Afinal, foram quase nove meses se adaptando às mudanças do corpo dela e aos reflexos psicológicos decorrentes. Se acostumar a dormir num campo minúsculo da cama e a acordar cedo todos os dias para levá-la ao trabalho já estavam virando algo natural. Claro, tirando os dias de ressaca ou de insônia em que a vontade era de mandá-la de táxi... Hahhaah Mas enfim, olhando todo aquele sacrifício que ela fazia para as tarefas mais simples como levar o copo na pia, me motivavam a levanta ainda que rançando. 
Na saída do nosso médico, ele nos deu um valioso conselho: caminhar. 
Bueno. Mais um dia nasceu no mundo. O último da semana, o mais esperado por todos que trabalham dia a dia, o mais desejado pelos baladeiros, pelo pessoal que vai para praia, volta para casa, vai ver os pais no interior e assim por diante. Para nós, dia de descansar. Entretanto, acolhendo o conselho do doctor, lá fomos nós para o Shopping. Caminha de lá, caminha de cá, sobe escada rolante, desce, sobe de novo até que decidimos jantar. Fomos naqueles restaurantes que servem comida australiana, bem apimentada e com bastante tempero. Para completar o quadro, pedimos um steak beff com molho forte (de alho). Vindo o banquete, voltamos para casa.
Já era tradicional entre nós a Karina ir dormir e eu ficar na sala lendo (jogando vídeo-game), ou trabalhando (zapeando a madrugada a dentro). Não foi diferente desta vez. Passada uma hora do deitar da nega, me aparece ela na sala e diz: Liga pro Guedes (obstetra) que estourou a bolsa. Eu, certo de que ela tava brincando, afinal o médico havia dito que não havia dilatação e que ele tava "alto", em que pese encaixado, não acreditei. Acendi a luz do quarto e lá estava: uma mancha de água gigante na cama e a nega "vazando". SOCORROOOOOOOOOO!!!!!!!! A primeira coisa que fiz foi seguir as instruções que dias antes ela havia deixado por escrito num bilhete intitulado "Levar para Maternidade". Eram três malas, maletas e maletinhas com tudo que a gente precisava. Mais a câmera de vídeo, carregador de celular, carteira do convênio, identidade e a grávida! hahahahha. Nesse meio tempo, ela ligou para minha irmã e perguntou se dava para tomar um banho antes. Ela tomou, e eu praticamente joguei uma água no corpo. E lá fomos rumo ao Hospital... 
Bom, entre ligações para família, dindos e amigos, me perdi no caminho... E lá veio a primeira mijada do parto que eu levei. As exatas palavras dela foram: AMOR! Eu preciso que tu se concentre em me levar para o hospital, depois tu liga para as pessoas... 

Na chegada, estacionei o carro entre duas vagas para deficientes físicos. A minha prioridade era muito alta para pensar nos outros nessa hora. Chegamos na recepção e a mulher perguntou: Pois não? Resposta: ELA TÁ PARINDO! Ela: Terceiro andar...
A primeira providência tomada foi preparar a Karina para o parto e fazer uma avaliação do quadro. Enquanto isso, o pobre e esquecido pai, fica do lado de fora da sala, como um reles mortal! Mas digo que foi bom. Porque pude receber meu pai que chegou no hospital junto com minha madrasta que havia passado o dia fazendo exames e seu filho, o Igor. Recebi ainda minhas irmãs que pareciam mais angustiadas que eu...
Esperada uma eternidade (20 minutos), me chamam para acompanhar a parturiente. Ela estava na sala de avaliação, trocando a roupa e tomando alguns medicamentos. Logo depois fomos para a sala aonde passaríamos as próximas 06 horas em trabalho de parto. Colocaram dois sensores em sua barriga. Um para medir o intervalo entre as contrações e outro para medir os batimentos cardíacos do B. Considera-se estar efetivamente em trabalho de parto quando as contrações atingem 3 ciclos em cada 10 minutos. A cada contração os batimentos do filho disparavam. Ele sentia que era hora de vim ao mundo... Lá pelas 04:30 da manhã, chegou nosso médico e o abençoado Senhor dos Anéis/Mestre Yoda/Senhor dos Magos o ANESTESISTA. Sim amigo, porque a essa altura a Karina já sentia a famosa "dor do parto". Coisa que só quem é macho de verdade consegue aguentar... Vendo o sofrimento dela, se fosse eu, já teria pulado de barriga pra baixo e dado um jeito de fazer o muleke nascer!!! Evidente que é brincadeira, mas nunca havia visto aquela expressão de dor na cara dela. 
Entre as avaliações do médico acerca da dilatação e batimentos do bebê, eu tentava me comunicar com a família no lado de fora através do celular... Mijada do parto II. Quando eu pegava o aparelho, eu juro que ela tinha vontade de me matar. Vontade, cara feia e até razão! Não adianta: pai nessa hora, não tem utilidade nenhuma! E por mais que eu dissesse fica calma, respira e tudo mais que indicam nessa hora, ela me olhava com uma cara de quem diz: VAI TOMAR NO MEIO DO TEU #$%@%, SEU FILHO DE UMA %$#@%!

O tempo foi passando e a dilatação estava completa. Cólo do útero amolecido e tudo encaminhado para o parto normal. Exceto por um detalhe... o piá não passava. Foram 06 horas em trabalho de parto e 03 tentativas daquelas "faz toda força possível", mas não tinha jeito. Plano "B": cesariana. Levaram-na para a bloco cirurgico e eu mais uma vez rebaixado ao reles mortal insignificante e sem utilidade alguma. "Espera aqui", me disseram. 

Estou sentado esperando no lado de fora e me passa um pai com o recém nascido filho no colo com uma cara de bobo para mostrar para a família. Pensei que logo seria minha vez...

Chega o pediatra e fala: Vamos lá pai? Dizer simplesmente vamos ou sim para um momento tão especial não bastava para descrever a minha imensa vontade de entrar naquela sala. Literalmente fiquei sem palavras. Simplesmente levantei e entrei. Lá estava ela, com os braços abertos e amarrados já sem dor graças ao Lord of The Rings - Anestesista e sua poção gummy mágica. 

Me sentei ao seu lado, e mesmo antes de me acalmar, ouvi o choro do meu filho... Havia nascido! Perfeito! Saudável! Lindo e cabeludo! Tirou nota 09 no Apgard no primeiro minuto e 10 no quinto...

Eu fico tentando achar uma definição para a felicidade que senti nesse momento e não consigo. Um filme passou na minha cabeça das minhas conquistas pessoais e dos momentos mais felizes da minha vida para ver se achava um comparativo, mas simplesmente não há. Não existe paradigma para esse momento, ele é único! Não há comparação com qualquer outra experiência que tenha vivido... Parece um clichê batido, mas só quem é pai e passa por este momento compreende o sentimento... Presenciar a vida nascendo, pulsando perfeita é surreal. Ele é a melhor coisa que já fiz na minha vida. 

Logo depois de desentupidas as vias aéreas, me passaram ao colo. E ele, que estava chorando, parou ao ouvir minha voz, abriu os olhinhos com a testa enrugada me olhou no fundo dos meus olhos. Esse foi o momento do meu choro... Porque ele havia me reconhecido! No meio daquela confusão toda, foi como se ele dissesse: Tu eu sei quem é, tu é meu pai e em ti em posso confiar... 

Devolvi ele para o pediatra para que ele enfim conhecesse a mãe e o choro voltou. Mas a mágica se repetiu. Foi ele encostar na nega e ouvir sua voz que tudo ficou em paz. Esse foi o momento do segundo choro do pai... 

O Bernardo nasceu com 3.245 killos e 50 cm, na manhã do dia 07 de janeiro de 2012 às 07:48hrs. O melhor início de ano dos meus 33 vividos... Mágico! 
Novamente o peguei no colo e fui apresentá-lo para o restante da família... o resultado vocês conferem na foto. 
De todas as vezes que usei o slogam da Mastercard nesse blog, nenhum outro momento teria mais significado do que o registrado nessa foto. 

Hoje o filho completa uma semana de vida! Já ganhou mais peso do que perdeu ao sair do Hospital e cresceu 02 cm. Esta 100% saudável! 

Todos os dias, são um aprendizado. E eu que só tinha a função limitada e específica de limpar o "coto umbilical", já evoluí bastante. Dou banho e o faço dormir. Fraldas já troco com uma mão! 

Karina esta super bem recuperada da cesariana e a cicatriz é ridícula de tão insignificante. Não tenham medo mulheres... 
Na visita do nosso obstetra ele nos disse algo de incontestável verdade: "É com o nascimento dos nossos filhos que aprendemos a ser bons filhos e os avós a serem bons pais."

Impressionante a vida nesse tanto. Quando os pais já não precisam ser tão pais, nascem os netos e tudo se renova com uma pitada de açucar. Os netos são a recompensa aos avós por terem sido pais um dia.
Sabe aquela sensação de quando a gente compra uma coisa nova e quer voltar para casa para usar? Quando a gente conhece um grande amor e morre de saudades até o reencontro? Aquela alegria que a gente sente quando passa no vestibular, se forma ou se casa? Tudo isso é o que sinto cada vez que pego meu pequeno no colo. Cada vez que ele repousa a cabecinha no meu ombro e dorme em paz ou acorda louco de fome... É um constante estado de felicidade. É amor que não acaba mais...


Bom pessoal, fico por aqui hoje. Tenho tantas coisas para escrever sobre essa primeira semana de vida que daria um livro. Por isso, vamos aos poucos para não cansá-los e porque daqui a pouco o pequeno acorda! 

Um super beijo, Paizão mais feliz do mundo! 







quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quando nasce um pai?



Ingressamos no último mês de gestação. Parece que foi ontem quando recebi a notícia de que em nove meses, estaria segurando um filho meu nos braços. Digo meu, porque antes tive a chance de experimentar através dos meus quatro sobrinhos a sensação aproximada do que significa isso. Realizamos uma ecografia essa semana e o Bernardo está ótimo. Pesando aproximados 2,300kg. Realmente ele deu um pulo de peso no trimestre final. A nega, por outro lado, engordou miseráveis 4kg. Houve momentos em que jurava que meu pequeno estava passando fome dentro da barriga, mas considerando os exames feitos aliados ainda ao que nosso médico relata, não há motivo para pânico. Imaginem se a Karina tivesse pesando 9kg? Bernardo teria 4,5kg!!! Melhor deixar assim...

Tenho recebido inúmeras mensagens carinhosas de amigos e pessoas que leem o blog. Dentre estes, ganhei uma menção no blog http://andreatpm.blogspot.com/2011/11/homem-gravido.html, da minha amiga Andrea Beheregaray. Na parte final do texto, tem a seguinte frase:

"Porque os pais nascem juntos com seus filhos."

Não sei porque, mas estes dizeres me chamaram atenção. Pensando sobre qual momento específico o homem se torna pai, não cheguei à uma conclusão. Primeiro, pensei que já havia me tornado pai, a contar do nascimento do meu primeiro sobrinho, o Lorenzo. Mas não, não foi ainda. Isto porque, além da questão óbvia de que não sou pai dos meus afilhados, são funções distintas a de pai e a de tio. E por mais, que os ame tanto quanto, não tenho neles a intensidade das preocupações de seus pais, muito menos o rigor que se exige a paternidade. Se ser avó, é ser pai com açucar, o que sobra para o tio? Não encontrei resposta...
Depois, pensei que me tornei pai quando comecei a enxergar o meu velho, mais como um amigo do que como uma autoridade. E que exatamente pela quebra desse paradigma, era possível que eu também pudesse cuidá-lo, como se tivesse um filho mais velho do que eu. Mas não, não fechava ainda. Porque existe uma ordem natural que não pode ser mudada. Ele é meu pai e não pode ser o contrário. E mesmo que agora nossa relação tenha uma troca recíproca de cuidados, o máximo que consigo ser dele para além do que já sou, é seu melhor amigo.  

Mas então quando? Quando recebi a notícia? Quando vi a primeira ecografia? Quando ele nascer talvez? 

E depois de passar o dia todo pensando e até mesmo depois do início deste post, penso que a resposta não pode ser atrelada a um evento temporal somente. A resposta que me pareceu mais correta foi SEMPRE! Sempre estarei nascendo pai... Em absolutamente todos os momentos acima e em muitos outros, nasce-se pai. Acredito que seja uma jornada tão intensa e de tanto aprendizado, que a cada momento, a cada ecografia nova ou exame, estou nascendo-me pai. Aprendendo a lidar com a apreensão, sendo mais cuidadoso, preocupado, etc. Acho que existem tantas experiências que sequer imagino, mas que fatalmente viverei, que me ensinarão dia a dia como desenvolver minha paternindade. Os pais, nascem com os filhos! Nascem, crescem e aprendem a sê-lo mutuamente. Numa troca constante de aprendizado, de sensações, de sofrimento e de amor. 

Será que conseguirei ser o pai que pretendo ser? Acredito que sim. Mas o importante realmente é manter em mente que por mais que eu o imagine, ele será do jeito dele. Dar-lhe o suporte total para que tenha uma vida feliz e saudável é o que posso fazer. O resto, depende exclusivamente das suas escolhas...

A gestação de um filho dura 40 semanas... a de um pai, uma vida inteira.

Mas que minhas boas intenções me sejam tão gratificadoras como a ecografia 3D que fizemos. Pelo menos fisicamente posso afirmar que meu filho é a minha cara!!!

Um super beijo, P.  


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Algumas diferenças entre meninos e meninas...





É bom que ele entenda logo, desde cedo que homens e mulheres vivem em universos diferentes. Prova disso, foi a gritante diferença entre o chá de fraldas e o churras de fraldas que eu organizei. 

O chá foi realizado com a união da minha irmã e Dinda Sabrina, da Dinda Carol e das amigas Ramona e Laura. Meses de programação escolhendo todos os detalhes, decoração, bebidas, lista de convidados, balões, etc etc. Aliás, descobri que o helicóptero que o Bernardo precisava tanto, não constava na lista de presentes... #fuisabotadocerto. 

No meio dessa programação toda, achei que estava faltando alguma coisa. Não estava achando certo a parte masculina dos casais ficar de fora do chá de fraldas, que é exclusivamente para mulheres. Pôxa vida, direito e obrigações iguais tchê!!! Então tive a ideia de fazer um churras de fraldas só para os homens!! Detalhe, isso foi numa segunda-feira sendo que o chá que havia sido programado há meses aconteceria no sábado. Enviei os convites naquele dia mesmo. E se por ventura você esta lendo esse post e não foi convidado, por favor, não se ofenda. De forma alguma meu eventual esquecimento foi proposital ou qualquer coisa do gênero. Na quarta-feira encomendei o chopp (30 litros) e no sábado pela manhã comprei a carne que seria assada logo mais... 

O resultado disso tudo foi que das 30 pessoas que havia convidado na segunda, 28 foram. As duas que não conseguiram, tiveram comprovadamente imprevistos. Impressionante como o universo masculino é muito descomplicado. Acho que tudo se deve ao fato de fazermos xixi em pé. Não existe nada no mundo mais simples do que isso. Se o cara está apertado, basta ir atrás de uma árvore e pronto. Alivio imediato. No meu churras, houve quem chegou depois que a festa já havia acabado e o chopp também. Sorte que a gurizada havia comprado umas latinhas a mais para continuar a festa... A decoração? Uma camiseta de bebê do Colorado autografada pelos jogadores do Inter. Nada demais, nada de menos. Apenas descomplicado. Afinal de contas a causa era nobre. Ao invés de lista de presentes, pedi só fraldas. Foram 87 pacotes no total...  A foto acima retrata o momento que certamente ficará eternizado na minha lembrança. 

Por isso, meu agradecimento: Ao Tutty: por quem detenho admiração e carinho tanto dentro das quadras como fora; ao Bel: o cara mais "come-quieto" que eu conheço;  ao Diego: não haveria melhor pessoa para apadrinhar meu guri; ao Osni: amigo do tempo da faculdade.. Quanta história hein meu velho?; Ao Matheus: filho do meu cunhado que hora é irmão, hora é filho, hora é amigo e hora é tudo um pouco; ao Flávio: amizade recente, mas com cara de velha, talvez porque o carinho não tenha idade..; ao Ricardinho: Monstro das quadras e dos pincéis (me deve uma tela hein!!!!); ao Manolito: o cara que todo mundo quer apresentar para sua filha, justificadamente; ao Gustavo Campos: colega de TJ.. Que bom aliás, que aquele TJ não fala..; ao Rafael Zin: anda logo tchê, faz teu filho e que eles sejam parceiros de jogo como nós!; ao Fofão: pelo sorriso fácil e alegria de sempre; ao Rick: que mesmo tendo um filho com 4 dias de vida, foi lá me dar um abraço e marcar presença; ao CB: amigo do amigo que meu amigo se tornou; ao Dieter: pelo senso de humor discreto e inteligente;  ao Djone: colorado fervoroso e galã...; ao Gui Lima: pela parceria, pelos papos e por tudo mais que agora não lembro.. ao Eduardo: amigo que veio por intermédio da Laurita e que junto trouxe todo o resto da família Caringi Raup para ficar em nossas vidas...; Ao Seu Lorivaldo: que emocionado falou com tanto carinho dos filhos como quem pode ter certeza de que cumpriu com folga o papel de pai; ao Gui Noll: por quem transponho o limite de amigo e chamo de irmão honrosamente; ao Dani: pelas dicas preciosas de um pai recente que ama sua cria tanto quanto eu já amo o meu; ao Luis Mauro: o cara que calça 47 e que certamente tem um coração proporcional; ao Inezil: parceiro de longa data, de tantas coisas, de tanto tempo que me dá certeza de que muito esta por vir... ; ao Gustavo Sudbrack: pelo afeto sincero em que pese gremista doente; ao Nico: o cara mais boa pinta que conheço; ao Ricardo Saabi: hermano distante, mas sempre present no coração. Entre os agradecimentos  não poderia deixar de registrar um especial muito obrigado ao meu cunhado do coração, Fábio, que assou o churrasco primorosamente como sempre; ao meu pai, Aramis Nassif, que entre as muitas coisas que me ensinou nessa vida, a de cultivar amizades certamente jamais será esquecida; e aos meus sobrinhos Gonçalo e Santiago por me anteciparem com tanta doçura o que espero viver com meu filho dentro de bem pouco tempo... Momentos de pura diversão! 

Aos demais que não puderam comparecer, fica o registro de que suas ausências foram sentidas, porque importantes. Mas não tanto ao ponto de amargurar porventura, qualquer sentimento de amizade que nutro por vocês. 

Desejo que o meu filho tenha tanta sorte, quanto eu tive, na escolha de suas amizades..

Um super beijo, P. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mamadeiras & Amigos.

Estou nesse exato momento deitado na cama escrevendo o post e sentindo o Bernardo mexer na barriga da Karina. Cada dia que passa ele se move mais e com mais intensidade. 
Estamos na 27 semana da gestação. Restam apenas 13, portanto. Começamos a perguntar qual dia as pessoas acham que vai nascer o B. Deixem suas apostas nos comentário abaixo e participem também! O acertador, vai ganhar um prêmio especial!!! A minha dica é dia 09 de janeiro, considerando que a data limite é 15 do mesmo mês. 

Nessa fase da gestação, já é possível notar que a nega anda com os instintos mais aguçados, principalmente os de proteção ao filhote. Isso envolve, evidentemente, seu humor.... para minha alegria (?) #naopossoescrevermaispranaomorrer...

A gente tem ganho muitos presentes dos amigos e parentes. Ganhamos o carrinho dos dindos Carol e Diego, kit berço do meu pai e da minha boadastra Nycia, roupinhas das manas e por assim adiante... Mas essa semana fomos agraciados com um presente especial. Uma carta, que veio junto com um aquecedor de mamadeiras dados pelo Dani, Vivi e Murilo. Ao abrir o presente, lá estava a cartinha, escrita pelo Murilo com apenas 07 meses de vida , cujo inteiro teor faço questão de dividir com vocês:

"Oi Bernardo.

Eu sou o Murilo, filho da Vivi e do Daniel, que é amigo do teu pai.
Quando eu soube que tu estava por chegar, quis que tu ficasse com meu aquecedor de mamadeira. Eu deixei de usar. Eu sou grande já. Quer dizer... eu durmo a noite toda, como papinha, até já sento sozinho! Juro!! Tô ficando velho.

Pedi pro pai entregar esse presentinho pro Tio Sama e pra Tia Karina, para ajudar, logo que tu chegar. Como a gente mama muito seguido, pode precisar de uma mamadeira morninha, e daí, já tá na mão.

Logo que a gente chega aqui, estranha um pouco, mas, depois acostuma.
Eu lembro... Não faz muito, eu tava aí também. Quer dizer, não na mesma barriga aí... Tava na barriga da minha mãe... Eita lugarzinho bom, né!?
Nessa idade, a gente já conhece a voz da mãe e do pai né?
Adorava quando ela falava comigo e quando botavam a mão na barrigona dela. Muito bom!
E quando o pai chegava em casa, então!!! A gente sabe certinho que horas eles chegam, né?
Eu chutava e empurrava a barriga da mãe, só pra ele ver, e ouvia quando falava:
“Olha só, tá chutando!” Eu ficava todo bobo!
Mas o melhor de tudo é que a gente sente o amor deles, né?
A gente sabe que vai entrar para uma família que esta louca para ver a gente, nossa carinha, para nos dar colo, carinho e muito amor!
Eu, já tô nessa vidinha, te digo de cadeirinha.... é muito bom, meu amiguinho!

Bom Bernardo, por enquanto era isso.
Quando tu chegar, vou pedir pro meu pai me levar pra te visitar, tá?
Um abraço do teu amigo, Murilo." 

Que coisa mais sensacional, não acharam? Eu fiquei totalmente atônito. Realmente não imaginava receber essa cartinha do já prometido amigo do B. Porque o melhor dessa história é o desejo que nós, pais, temos de querer que nossos filhos desenvolvam a mesma amizade cultivada entre a gente. É uma forma de perpetuar o carinho e tudo de bom que existe nas verdadeiras amizades.. Engravidar, é estar em estado de graça! Dani meu velho, tu é o cara! 

Um detalhe: a entrega do presente ocorreu no Bar Odessa. Um lugar badalado na cidade por estar em evidência e por servirem uma cerveja estupidamente gelada. Na saída, encontrei um conhecido que me perguntou: Nossa, essa sacola é de cerveja para levar?? Na mesma hora respondi: Não, não, é um aquecedor de mamadeiras que meu filho ganhou de um amigo dele... Ele ficou sem entender muito e eu fui embora... orgulhoso com meu presente embaixo do braço! 

À família do Murilo, deixo registrado em nome da minha prole, meu muito obrigado! 

Um forte beijo, P.