sábado, 17 de março de 2012

Passa rápido demais...


Desculpa pessoal. Realmente demorei para escrever esse novo post. Não por falta de inspiração ou qualquer outra coisa do tipo, mas por não ter tempo de sentar e organizar as ideias. 

São tantas novas sensações que surgem todos os dias, que fica difícil acompanhar o ritmo das mudanças que acontecem na vida da gente. Todas, porém, boas. Acho que já havia escrito em algum post passado, da certeza que tinha que ser pai era algo maravilhoso. Não imaginava que fosse tanto assim.

Nas primeiras semanas de vida, cada movimento, choro ou algo de novo que o filho fizesse era motivo de apreensão. Afinal, você esta sendo pai pela primeira vez! Não sabe se o choro é de dor, de fome ou de fralda cheia. Aqui em casa, resolvemos que ele dormiria desde o primeiro dia no berço dele. Conseguimos a muito custo manter essa rotina. Mas claro, dói e tem um preço. De meia em meia hora acordava para ver se estava tudo bem com o piá! A Karina então nem se fala! Quase não dormia em razão das mamadas a cada três horas. Entre dar o peito, fazer arrotar e dormir, sobrava um tempo de menos de hora para tentar tirar um cochilo. A principal preocupação, era a do afogamento. Ouve-se muitas histórias sobre bebês que se acidentam por causa da regurgitação. Aliás, você que esta grávido ou pensa em engravidar, se prepare: muitas pessoas vão lhe contar histórias tristes sobre desastres com crianças e tragédias cabeludas... Fica a dica: se você tem algum amigo grávido ou que vai engravidar, enfie esses contos horripilantes em qualquer lugar ou guarde-os para contar para seus filhos!! Cada vez que alguém começava a contar algo assim, eu tinha vontade de mandar a pessoa "catar tatu!" 

Houve noite em que o filho não queria dormir de jeito nenhum. Mas bastava pegá-lo no colo ou conversar com ele que logo se acalmava e dormia. Absolutamente tudo é novidade. Então, o segredo é não se desesperar. Como diria meu amigo Daniel, se a criança esta alimentada e trocada, o choro ou é dor, ou é sono... Mantenha sempre a calma e lembre-se que o filhote não sabe absolutamente nada do mundo aqui fora. Ele depende 100% de você! E isso meu amigo é a responsabilidade de ser pai.  ATENÇÃO: se você ainda não sabe, a paternidade implica diretamente em mudar seu ritmo de vida!!! Logo, antes de reclamar que você tem que acordar de madrugada, tem que cuidar dele 24 horas por dia, dar banho, trocar, vestir e etc, lembre-se que isso é ser pai e vem junto no pacote das risadas que ele der, das alegrias e dos motivos de orgulho que dará... Você precisará suprir as necessidades do filho na medida em que elas vão surgindo e ele exigindo. Não pense em ter um sem estar disposto a ser pai! Mas o melhor disso tudo, está no fato de que em nenhum momento, deixar de ir ao estádio de futebol torcer pelo seu time do coração, deixar de ir jogar bola ou ir no bar com os amigos, será algo penoso. Pelo contrário, você vai querer e preferir estar com seu filho, ao invés de fazer qualquer outra coisa.. pelo menos comigo foi assim. Evidente que passado um mês de vida do Bernardo, voltei a trabalhar no ritmo quase normal, ir ao estádio e jantar fora com os amigos. Mas em qualquer lugar que eu vá, levo a saudade comigo apertada no peito...

O Bernardo é a criança que todo casal pediu à Deus. Não tem cólica alguma e, à exceção de chorar para mamar ou rançar para dormir, esta sempre tranquilo. Sorri com qualquer bobagem que se faça e as vezes nem isso precisa. É algo muito louco, mas lembro perfeitamente o primeiro dia que ele sorriu para mim. Nos outros que haviam se passado, ele parecia fora do ar e você e um tijolo, não tinham diferença alguma. Olhava para o além e não via nada! Isso é normal, considerando que eles ainda não tem a visão completamente desenvolvida e não conseguem focar objetos com precisão. Agora já tenho certeza que ele reconhece quem é o pai dele... A máxima aquela, faz muito sentido: Pai é quem cria! 

Motivo de brigas aqui em casa foram as visitas! Eu estava louco para me exibir com o filho e a Karina louca que o mundo se explodisse! Claro, é preciso entender a mãe, afinal ela não tem tempo para fazer absolutamente nada! Então não se apavore se um dia você chegar em casa e sua mulher tiver se transformado num pitbull raivoso! Tudo faz parte do instinto protetivo e é para o bem estar do seu filhote. Mas concordo com ela que as visitas atrapalham no começo, porque você ainda não tem a rotina certa do bebê, não sabe identificar os choros e tudo parece mais grave do que realmente é! 

Hoje é o segundo dia que o Bernardo dorme as 23:00 horas e vai acordar as 05:00 horas para mamar. Não preciso dizer que fazem dois dias que a Karina esta de excelente humor! Com isso, conseguimos receber os amigos sem mudar em absoluto a rotina. Receber o carinho dos amigos, o afeto dos parentes e as energias positivas nos deixam muito tranquilos em relação ao modo que estamos criando o filho. Umas das melhores alegrias de escrever o blog reside nisso. As mensagens de apoio, os comentários e as conversas com o pessoal que nos acompanha nos deixam seguros para seguir nessa jornada. E quando se tem confiança no que se esta fazendo, pode cair o mundo que você vai achar aonde se segurar!

Vou terminando por aqui com a certeza de que escrevi pouco, do tanto que tenho para relatar. Mas uma última informação: Ele era para ter engordado 700 gr. e crescido 5 cm, no segundo mês de vida.... cresceu 1,100kg e cresceu 8 cm... Será excesso de amor??? Só pode! 

Olha a foto do gordo! 
Um super beijo, Paizão!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Até aqui, tudo bem!


Conforme já havia dito no post anterior, ser pai é uma experiência para a qual não existe paradigma. Ultrapassados os primeiros dias em que praticamente não saímos de casa, era preciso voltar ao escritório e tentar voltar ao ritmo normal. Impossível! A sensação que tenho é aquela de quando você ganha um presente e quer chegar logo em casa para poder brincar, mas muito melhor. É uma saudade prejetada numa dimensão que ainda não havia experimentado. 
Chega a ser uma insanidade porque o filho dorme 17 horas por dia! Sente-se saudade de uma coisa que esta ali do seu lado... Ao mesmo tempo ser pai é viver na nostalgia de memórias de quando eu era pequeno e das coisas que vivi e imaginar como serão as experiências que ele vivenciará.. O primeiro dia de aula, os colegas, o primeiro beijo, os temas de casa etc, etc. Resgato meu passado recordando do quanto fui feliz!

Depois de umas semanas conturbadas, o filho começa a entrar numa rotina mais frequente. Parece redundante dizer isso, mas não é. Ele tem a rotina de mamar e fazer suas necessidades, nessa ordem, mas nem sempre na mesma hora...  A divisão das tarefas por igual começar a se encaixar. E eu, que praticamente era o limpador do coto umbilical (algo ridículo, mas importante que dura cerca de 10 segundos), agora tenho o momento do banho só pra mim! Há! Tks Dra. Rosa, nossa pediatra! 

No início, a nega monopolizava o filho. Com toda razão diga-se de passagem, afinal, a fonte de alimento é ela e para o recém nascido esta questão é de vida ou morte. Não tivemos, salvo algumas feridas que foram solucionadas com bicos de silicone, problemas algum com a amamentação. O cara parece um bezerro! É colocar ele no colo que já começa a fazer bico pedindo teta! As vezes quando ele esta sonolento, eu deito ele no colo na posição de dar mama e ele tenta pegar a teta!! hahahahahah 

Mas é preciso dividir a atenção ao filhote. E fica aqui a primeira dica: mulheres, dividam o filho com os pais! Isto evita que vocês se stressem e consigam descansar para quando ele efetivamente precisar da mamãe. Além do que, com o tempo, o cansaço bate e pode chegar ao ponto de você simplesmente apagar de tão esgotada durante uma mamada ou com ele no colo. E com isso o risco dele cair do seu colo é grande..

No início, o banho era de gato. Um pano molhado na água morna pelo corpinho e outro para tirar o sabão. Secar, limpar o nariz, fralda, roupa, pentear os cabelos e pronto! Cheiroso e perfumado. Agora, depois que caiu o coto, é banho de imersão e ele adora! Dia desses dormiu de tão relaxado que ficou. Isto porque lembra o tempo da vida dentro do ventre da mãe. 

Cuide com as visitas. Realmente é importante no início resguardar a criança e a mãe do assédio dos fãs... Se for visitar, o faça por no máximo uma hora, mas que isso começa a atrapalhar a rotina do bebê e da genitora. Evite impor suas sensações sobre o pequeno. Não é porque tua criança chorava de cólica que qualquer choro de outro bebê também seja pelo mesmo motivo. Cada um, cada um... Além do que é chato ouvir: "Ai tadinho, tá com dor/cólica/frio/calor/coceira!", quando na verdade é só uma fralda que precisa ser trocada. Isso confunde os pais que estão tentando decifrar o que cada choro significa. 

Não se engane, filhos dão trabalho! Faz parte do processo de amadurecimento da relação de vocês passar por isso. Ele provavelmente não se lembrará das noites em claro que você passou, das idas aos médicos, das vacinas e de todo o resto, mas você jamais esquecerá. Essas vivências que vão me aproximando cada vez mais dele, fazendo com que o ame a cada segundo mais e mais. E isso, ele só vai entender, depois que tiver o seu próprio filho... Por mais que tentemos abstrair para viver situações que ainda não passamos, nada substitui o fato vivido. Nossas projeções iludem. Só realidade nos mostra a verdade de cada um... Portanto, curta cada momento. Mesmo que isso seja lá pelas quatro da madrugada depois de um churrasco comemorativo da vitória do seu time de futebol, quando ele resolve acordar para ser trocado!

Porque vai haver um belo dia em que você chega em casa cansado. Seu filho não consegue dormir de jeito nenhum. Chora! Você troca as fraldas e nada... Alimenta e nada. Cantarola lullabies e nada. Então ele resolve se acalmar. Abre bem os olhos e lança esse olhar da foto aí em cima para você e fica te observando quietinho...  

Precisa dizer mais alguma coisa?

Um super beijo, Paizão!

domingo, 15 de janeiro de 2012

O NASCIMENTO!



Dizem que quando você tem muita coisa para escrever e não sabe como, há que se começar pelo princípio. Não haveria outra saída para esse post que não essa. Então, lá vamos nós!
Na semana do dia 02 de janeiro, tínhamos 03 médicos marcados: pediatra, ecografia e obstetra. Nessa ordem. A médica que escolhemos para cuidar do nosso pequeno após o nascimento tem uma filosofia bem interessante de trabalho. Ela atende somente pacientes cujos bebês ainda estejam dentro da barriga. Não adianta chegar lá depois que ele nasceu. A impressão que tenho é de que ela deseja manter um vínculo intra-uterino para depois o nenê estar mais acostumado com sua voz e etc. E por mais que tenha acompanhado a gestação dos meus 04 sobrinhos de perto, me senti um novato diante de tanta informação. Absolutamente todos os conselhos, deram certo! Parece mágica. 

O próximo passo era a ecografia. Mais um "presente" do nosso obstetra do que necessidade médica. Nosso bebê estava um pouco alto ainda, pensando aproximados 3.300kg e medindo cerca de 50cm. Fluxo sanguíneo excelente, liquido aminótico também. Só faltava nascer. 
Chegamos no obstetra na quinta-feira. Depois do exame, considerando que não havia dilatação, apenas contração, ficou decidido que se nada acontecesse até segunda-feira dia 09, marcaríamos a cesariana. Realmente estávamos chegando ao final da gestação e a barriga da nega já começava a deixar saudades. Afinal, foram quase nove meses se adaptando às mudanças do corpo dela e aos reflexos psicológicos decorrentes. Se acostumar a dormir num campo minúsculo da cama e a acordar cedo todos os dias para levá-la ao trabalho já estavam virando algo natural. Claro, tirando os dias de ressaca ou de insônia em que a vontade era de mandá-la de táxi... Hahhaah Mas enfim, olhando todo aquele sacrifício que ela fazia para as tarefas mais simples como levar o copo na pia, me motivavam a levanta ainda que rançando. 
Na saída do nosso médico, ele nos deu um valioso conselho: caminhar. 
Bueno. Mais um dia nasceu no mundo. O último da semana, o mais esperado por todos que trabalham dia a dia, o mais desejado pelos baladeiros, pelo pessoal que vai para praia, volta para casa, vai ver os pais no interior e assim por diante. Para nós, dia de descansar. Entretanto, acolhendo o conselho do doctor, lá fomos nós para o Shopping. Caminha de lá, caminha de cá, sobe escada rolante, desce, sobe de novo até que decidimos jantar. Fomos naqueles restaurantes que servem comida australiana, bem apimentada e com bastante tempero. Para completar o quadro, pedimos um steak beff com molho forte (de alho). Vindo o banquete, voltamos para casa.
Já era tradicional entre nós a Karina ir dormir e eu ficar na sala lendo (jogando vídeo-game), ou trabalhando (zapeando a madrugada a dentro). Não foi diferente desta vez. Passada uma hora do deitar da nega, me aparece ela na sala e diz: Liga pro Guedes (obstetra) que estourou a bolsa. Eu, certo de que ela tava brincando, afinal o médico havia dito que não havia dilatação e que ele tava "alto", em que pese encaixado, não acreditei. Acendi a luz do quarto e lá estava: uma mancha de água gigante na cama e a nega "vazando". SOCORROOOOOOOOOO!!!!!!!! A primeira coisa que fiz foi seguir as instruções que dias antes ela havia deixado por escrito num bilhete intitulado "Levar para Maternidade". Eram três malas, maletas e maletinhas com tudo que a gente precisava. Mais a câmera de vídeo, carregador de celular, carteira do convênio, identidade e a grávida! hahahahha. Nesse meio tempo, ela ligou para minha irmã e perguntou se dava para tomar um banho antes. Ela tomou, e eu praticamente joguei uma água no corpo. E lá fomos rumo ao Hospital... 
Bom, entre ligações para família, dindos e amigos, me perdi no caminho... E lá veio a primeira mijada do parto que eu levei. As exatas palavras dela foram: AMOR! Eu preciso que tu se concentre em me levar para o hospital, depois tu liga para as pessoas... 

Na chegada, estacionei o carro entre duas vagas para deficientes físicos. A minha prioridade era muito alta para pensar nos outros nessa hora. Chegamos na recepção e a mulher perguntou: Pois não? Resposta: ELA TÁ PARINDO! Ela: Terceiro andar...
A primeira providência tomada foi preparar a Karina para o parto e fazer uma avaliação do quadro. Enquanto isso, o pobre e esquecido pai, fica do lado de fora da sala, como um reles mortal! Mas digo que foi bom. Porque pude receber meu pai que chegou no hospital junto com minha madrasta que havia passado o dia fazendo exames e seu filho, o Igor. Recebi ainda minhas irmãs que pareciam mais angustiadas que eu...
Esperada uma eternidade (20 minutos), me chamam para acompanhar a parturiente. Ela estava na sala de avaliação, trocando a roupa e tomando alguns medicamentos. Logo depois fomos para a sala aonde passaríamos as próximas 06 horas em trabalho de parto. Colocaram dois sensores em sua barriga. Um para medir o intervalo entre as contrações e outro para medir os batimentos cardíacos do B. Considera-se estar efetivamente em trabalho de parto quando as contrações atingem 3 ciclos em cada 10 minutos. A cada contração os batimentos do filho disparavam. Ele sentia que era hora de vim ao mundo... Lá pelas 04:30 da manhã, chegou nosso médico e o abençoado Senhor dos Anéis/Mestre Yoda/Senhor dos Magos o ANESTESISTA. Sim amigo, porque a essa altura a Karina já sentia a famosa "dor do parto". Coisa que só quem é macho de verdade consegue aguentar... Vendo o sofrimento dela, se fosse eu, já teria pulado de barriga pra baixo e dado um jeito de fazer o muleke nascer!!! Evidente que é brincadeira, mas nunca havia visto aquela expressão de dor na cara dela. 
Entre as avaliações do médico acerca da dilatação e batimentos do bebê, eu tentava me comunicar com a família no lado de fora através do celular... Mijada do parto II. Quando eu pegava o aparelho, eu juro que ela tinha vontade de me matar. Vontade, cara feia e até razão! Não adianta: pai nessa hora, não tem utilidade nenhuma! E por mais que eu dissesse fica calma, respira e tudo mais que indicam nessa hora, ela me olhava com uma cara de quem diz: VAI TOMAR NO MEIO DO TEU #$%@%, SEU FILHO DE UMA %$#@%!

O tempo foi passando e a dilatação estava completa. Cólo do útero amolecido e tudo encaminhado para o parto normal. Exceto por um detalhe... o piá não passava. Foram 06 horas em trabalho de parto e 03 tentativas daquelas "faz toda força possível", mas não tinha jeito. Plano "B": cesariana. Levaram-na para a bloco cirurgico e eu mais uma vez rebaixado ao reles mortal insignificante e sem utilidade alguma. "Espera aqui", me disseram. 

Estou sentado esperando no lado de fora e me passa um pai com o recém nascido filho no colo com uma cara de bobo para mostrar para a família. Pensei que logo seria minha vez...

Chega o pediatra e fala: Vamos lá pai? Dizer simplesmente vamos ou sim para um momento tão especial não bastava para descrever a minha imensa vontade de entrar naquela sala. Literalmente fiquei sem palavras. Simplesmente levantei e entrei. Lá estava ela, com os braços abertos e amarrados já sem dor graças ao Lord of The Rings - Anestesista e sua poção gummy mágica. 

Me sentei ao seu lado, e mesmo antes de me acalmar, ouvi o choro do meu filho... Havia nascido! Perfeito! Saudável! Lindo e cabeludo! Tirou nota 09 no Apgard no primeiro minuto e 10 no quinto...

Eu fico tentando achar uma definição para a felicidade que senti nesse momento e não consigo. Um filme passou na minha cabeça das minhas conquistas pessoais e dos momentos mais felizes da minha vida para ver se achava um comparativo, mas simplesmente não há. Não existe paradigma para esse momento, ele é único! Não há comparação com qualquer outra experiência que tenha vivido... Parece um clichê batido, mas só quem é pai e passa por este momento compreende o sentimento... Presenciar a vida nascendo, pulsando perfeita é surreal. Ele é a melhor coisa que já fiz na minha vida. 

Logo depois de desentupidas as vias aéreas, me passaram ao colo. E ele, que estava chorando, parou ao ouvir minha voz, abriu os olhinhos com a testa enrugada me olhou no fundo dos meus olhos. Esse foi o momento do meu choro... Porque ele havia me reconhecido! No meio daquela confusão toda, foi como se ele dissesse: Tu eu sei quem é, tu é meu pai e em ti em posso confiar... 

Devolvi ele para o pediatra para que ele enfim conhecesse a mãe e o choro voltou. Mas a mágica se repetiu. Foi ele encostar na nega e ouvir sua voz que tudo ficou em paz. Esse foi o momento do segundo choro do pai... 

O Bernardo nasceu com 3.245 killos e 50 cm, na manhã do dia 07 de janeiro de 2012 às 07:48hrs. O melhor início de ano dos meus 33 vividos... Mágico! 
Novamente o peguei no colo e fui apresentá-lo para o restante da família... o resultado vocês conferem na foto. 
De todas as vezes que usei o slogam da Mastercard nesse blog, nenhum outro momento teria mais significado do que o registrado nessa foto. 

Hoje o filho completa uma semana de vida! Já ganhou mais peso do que perdeu ao sair do Hospital e cresceu 02 cm. Esta 100% saudável! 

Todos os dias, são um aprendizado. E eu que só tinha a função limitada e específica de limpar o "coto umbilical", já evoluí bastante. Dou banho e o faço dormir. Fraldas já troco com uma mão! 

Karina esta super bem recuperada da cesariana e a cicatriz é ridícula de tão insignificante. Não tenham medo mulheres... 
Na visita do nosso obstetra ele nos disse algo de incontestável verdade: "É com o nascimento dos nossos filhos que aprendemos a ser bons filhos e os avós a serem bons pais."

Impressionante a vida nesse tanto. Quando os pais já não precisam ser tão pais, nascem os netos e tudo se renova com uma pitada de açucar. Os netos são a recompensa aos avós por terem sido pais um dia.
Sabe aquela sensação de quando a gente compra uma coisa nova e quer voltar para casa para usar? Quando a gente conhece um grande amor e morre de saudades até o reencontro? Aquela alegria que a gente sente quando passa no vestibular, se forma ou se casa? Tudo isso é o que sinto cada vez que pego meu pequeno no colo. Cada vez que ele repousa a cabecinha no meu ombro e dorme em paz ou acorda louco de fome... É um constante estado de felicidade. É amor que não acaba mais...


Bom pessoal, fico por aqui hoje. Tenho tantas coisas para escrever sobre essa primeira semana de vida que daria um livro. Por isso, vamos aos poucos para não cansá-los e porque daqui a pouco o pequeno acorda! 

Um super beijo, Paizão mais feliz do mundo! 







quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quando nasce um pai?



Ingressamos no último mês de gestação. Parece que foi ontem quando recebi a notícia de que em nove meses, estaria segurando um filho meu nos braços. Digo meu, porque antes tive a chance de experimentar através dos meus quatro sobrinhos a sensação aproximada do que significa isso. Realizamos uma ecografia essa semana e o Bernardo está ótimo. Pesando aproximados 2,300kg. Realmente ele deu um pulo de peso no trimestre final. A nega, por outro lado, engordou miseráveis 4kg. Houve momentos em que jurava que meu pequeno estava passando fome dentro da barriga, mas considerando os exames feitos aliados ainda ao que nosso médico relata, não há motivo para pânico. Imaginem se a Karina tivesse pesando 9kg? Bernardo teria 4,5kg!!! Melhor deixar assim...

Tenho recebido inúmeras mensagens carinhosas de amigos e pessoas que leem o blog. Dentre estes, ganhei uma menção no blog http://andreatpm.blogspot.com/2011/11/homem-gravido.html, da minha amiga Andrea Beheregaray. Na parte final do texto, tem a seguinte frase:

"Porque os pais nascem juntos com seus filhos."

Não sei porque, mas estes dizeres me chamaram atenção. Pensando sobre qual momento específico o homem se torna pai, não cheguei à uma conclusão. Primeiro, pensei que já havia me tornado pai, a contar do nascimento do meu primeiro sobrinho, o Lorenzo. Mas não, não foi ainda. Isto porque, além da questão óbvia de que não sou pai dos meus afilhados, são funções distintas a de pai e a de tio. E por mais, que os ame tanto quanto, não tenho neles a intensidade das preocupações de seus pais, muito menos o rigor que se exige a paternidade. Se ser avó, é ser pai com açucar, o que sobra para o tio? Não encontrei resposta...
Depois, pensei que me tornei pai quando comecei a enxergar o meu velho, mais como um amigo do que como uma autoridade. E que exatamente pela quebra desse paradigma, era possível que eu também pudesse cuidá-lo, como se tivesse um filho mais velho do que eu. Mas não, não fechava ainda. Porque existe uma ordem natural que não pode ser mudada. Ele é meu pai e não pode ser o contrário. E mesmo que agora nossa relação tenha uma troca recíproca de cuidados, o máximo que consigo ser dele para além do que já sou, é seu melhor amigo.  

Mas então quando? Quando recebi a notícia? Quando vi a primeira ecografia? Quando ele nascer talvez? 

E depois de passar o dia todo pensando e até mesmo depois do início deste post, penso que a resposta não pode ser atrelada a um evento temporal somente. A resposta que me pareceu mais correta foi SEMPRE! Sempre estarei nascendo pai... Em absolutamente todos os momentos acima e em muitos outros, nasce-se pai. Acredito que seja uma jornada tão intensa e de tanto aprendizado, que a cada momento, a cada ecografia nova ou exame, estou nascendo-me pai. Aprendendo a lidar com a apreensão, sendo mais cuidadoso, preocupado, etc. Acho que existem tantas experiências que sequer imagino, mas que fatalmente viverei, que me ensinarão dia a dia como desenvolver minha paternindade. Os pais, nascem com os filhos! Nascem, crescem e aprendem a sê-lo mutuamente. Numa troca constante de aprendizado, de sensações, de sofrimento e de amor. 

Será que conseguirei ser o pai que pretendo ser? Acredito que sim. Mas o importante realmente é manter em mente que por mais que eu o imagine, ele será do jeito dele. Dar-lhe o suporte total para que tenha uma vida feliz e saudável é o que posso fazer. O resto, depende exclusivamente das suas escolhas...

A gestação de um filho dura 40 semanas... a de um pai, uma vida inteira.

Mas que minhas boas intenções me sejam tão gratificadoras como a ecografia 3D que fizemos. Pelo menos fisicamente posso afirmar que meu filho é a minha cara!!!

Um super beijo, P.  


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vivo e não vejo tudo...

Não, a frase acima não esta errada. Eu que fiz uma pequena adequação considerando tudo que tenho aprendido nesses últimos tempos. Poderia citar, por exemplo, que os ossos da cabeça do nenê ficam "soltos" para que possam melhor passar pela vagina na hora de nascer ou ainda que ao tempo da guerra fria, em tempos de olimpíadas, as mulheres russas  engravidavam para competir já que elas metabolizavam muito mais a alimentação e assim aumentavam seu desempenho nas competições. Mas nada se compara com a descoberta da fotografia acima. Sejam honestos! Quantos de vocês sabiam que o bebê não fica dentro da placenta??? EXATAMENTE AMIGOS! O nenê fica dentro do útero! E a placenta, fica ali  também. Sério, quando fiquei sabendo disso, me caíram os butiás do bolso.... Por isso afirmo: vivo e não vejo tudo... 
...

Hoje, faltam exatamente 51 dias para a data final prevista do nascimento do B. A cada dia, parece que a terra demora mais que 24 horas para dar a volta em seu próprio eixo. A ansiedade de tê-lo nas mãos aumenta semana pós semana. Imaginar que dentro de menos de dois meses estarei com ele nas mãos, atiça violentamente minha curiosidade. Imagina a da mãe que passa o tempo todo com a criança. Aliás, exatamente por isso que resolvemos fazer a ecografia 3D esses dias.  O resultado não foi dos melhores, pelo menos para a mãe. Isto porque, teve somente uma pessoa no mundo inteiro, que disse que o Bernardo se parecia com a Karina. O resto todo foi uníssono em afirmar que ele é minha cara. A expressão de decepção da mãe quando veio me mostrar as fotografias prontas foi impagável... Eu até que concordo. Pôxa, carregar a cria por 9 longos meses na barriga para sair a cara do pai??? Tivesse a orelha ser parecida com a da mãe, mas nem isso.. A Karina quase pediu DNA dela mesmo, para saber se ela era a mãe de verdade... hahahahhaha. 
Mas enfim. Cara do pai ou da mãe, o que importa é saber que o guri esta ótimo, ganhando peso e se encaminhando para a fase final de sua jornada uterina.
...

Tenho recebido diversos avisos dos meus amigos acerca do nascimento. O principal deles é para que eu aproveite todo tempo de agora para dormir, porque depois não vou mais ter o mesmo sono. Na verdade, espero mesmo, do fundo do coração que essa seja uma verdade incontestável. E, por mais que digam, não consigo ver isso pelo lado ruim de ter que ficar noites acordados e quando dormir, não ter a mesma qualidade de antes. Acho que minha vontade de ser pai é tão grande, que não me imagino sofrendo por causa destas questões. Meu pai sempre falou que o máximo que pode acontecer, é eu fazer tudo aquilo que eu faço, só que com um pouco de sono. Em compensação, tem coisa mais maravilhosa do que pegar um filho que esta chorando, colocá-lo no colo e fazê-lo parar de chorar? Nunca isso será tão fácil como nessa fase. Depois, vem as derrotas pessoais, os corações partidos ou time que perde o gre-nal. Agora, basta dar mamadeira, trocar as fraldas ou medicar. Penso que mais tarde, as dores do coração e da alma me darão muito mais trabalho. Até mesmo porque os dramas dos nossos filhos acabam se transformando no nosso sofrimento de estarmos vendo-os sofrer. 
Talvez não esteja conseguindo perceber esta mudança, já que ainda não passei ao vivo por esta experiência, mas tento, ao menos projetá-la do modo mais positivo possível para, talvez, não sofrer tanto depois... 
...

De fato, preocupação mesmo, tenho ao imaginar como vou fazer para inserir o Bernardo no meio dos meus 4 sobrinhos. Será que vão ter ciúmes? Vão ir com a cara dele? Vão entender? Isso só o tempo dirá... Mas será que eu vou saber lidar com a situação de ter que dividir a atenção deles? Espero profundamente que sim. Repudio qualquer possibilidade de ferir aqueles que por tanto tempo me deram tanta alegria, mesmo que por uma boa causa. Isso sim, vai ser difícil. E, considerando que o Bernardo vai ser o mais novo da trupe, temo pela sua integridade física! Afinal, o menor sempre é o alvo é o que não entende as brincadeiras e o que fica pra trás nas corridas.. Pobre filho.. hahahaha

Mas que fique registrado: amor sempre haverá sobrando para todos!

Um beijão, P. 




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Algumas diferenças entre meninos e meninas...





É bom que ele entenda logo, desde cedo que homens e mulheres vivem em universos diferentes. Prova disso, foi a gritante diferença entre o chá de fraldas e o churras de fraldas que eu organizei. 

O chá foi realizado com a união da minha irmã e Dinda Sabrina, da Dinda Carol e das amigas Ramona e Laura. Meses de programação escolhendo todos os detalhes, decoração, bebidas, lista de convidados, balões, etc etc. Aliás, descobri que o helicóptero que o Bernardo precisava tanto, não constava na lista de presentes... #fuisabotadocerto. 

No meio dessa programação toda, achei que estava faltando alguma coisa. Não estava achando certo a parte masculina dos casais ficar de fora do chá de fraldas, que é exclusivamente para mulheres. Pôxa vida, direito e obrigações iguais tchê!!! Então tive a ideia de fazer um churras de fraldas só para os homens!! Detalhe, isso foi numa segunda-feira sendo que o chá que havia sido programado há meses aconteceria no sábado. Enviei os convites naquele dia mesmo. E se por ventura você esta lendo esse post e não foi convidado, por favor, não se ofenda. De forma alguma meu eventual esquecimento foi proposital ou qualquer coisa do gênero. Na quarta-feira encomendei o chopp (30 litros) e no sábado pela manhã comprei a carne que seria assada logo mais... 

O resultado disso tudo foi que das 30 pessoas que havia convidado na segunda, 28 foram. As duas que não conseguiram, tiveram comprovadamente imprevistos. Impressionante como o universo masculino é muito descomplicado. Acho que tudo se deve ao fato de fazermos xixi em pé. Não existe nada no mundo mais simples do que isso. Se o cara está apertado, basta ir atrás de uma árvore e pronto. Alivio imediato. No meu churras, houve quem chegou depois que a festa já havia acabado e o chopp também. Sorte que a gurizada havia comprado umas latinhas a mais para continuar a festa... A decoração? Uma camiseta de bebê do Colorado autografada pelos jogadores do Inter. Nada demais, nada de menos. Apenas descomplicado. Afinal de contas a causa era nobre. Ao invés de lista de presentes, pedi só fraldas. Foram 87 pacotes no total...  A foto acima retrata o momento que certamente ficará eternizado na minha lembrança. 

Por isso, meu agradecimento: Ao Tutty: por quem detenho admiração e carinho tanto dentro das quadras como fora; ao Bel: o cara mais "come-quieto" que eu conheço;  ao Diego: não haveria melhor pessoa para apadrinhar meu guri; ao Osni: amigo do tempo da faculdade.. Quanta história hein meu velho?; Ao Matheus: filho do meu cunhado que hora é irmão, hora é filho, hora é amigo e hora é tudo um pouco; ao Flávio: amizade recente, mas com cara de velha, talvez porque o carinho não tenha idade..; ao Ricardinho: Monstro das quadras e dos pincéis (me deve uma tela hein!!!!); ao Manolito: o cara que todo mundo quer apresentar para sua filha, justificadamente; ao Gustavo Campos: colega de TJ.. Que bom aliás, que aquele TJ não fala..; ao Rafael Zin: anda logo tchê, faz teu filho e que eles sejam parceiros de jogo como nós!; ao Fofão: pelo sorriso fácil e alegria de sempre; ao Rick: que mesmo tendo um filho com 4 dias de vida, foi lá me dar um abraço e marcar presença; ao CB: amigo do amigo que meu amigo se tornou; ao Dieter: pelo senso de humor discreto e inteligente;  ao Djone: colorado fervoroso e galã...; ao Gui Lima: pela parceria, pelos papos e por tudo mais que agora não lembro.. ao Eduardo: amigo que veio por intermédio da Laurita e que junto trouxe todo o resto da família Caringi Raup para ficar em nossas vidas...; Ao Seu Lorivaldo: que emocionado falou com tanto carinho dos filhos como quem pode ter certeza de que cumpriu com folga o papel de pai; ao Gui Noll: por quem transponho o limite de amigo e chamo de irmão honrosamente; ao Dani: pelas dicas preciosas de um pai recente que ama sua cria tanto quanto eu já amo o meu; ao Luis Mauro: o cara que calça 47 e que certamente tem um coração proporcional; ao Inezil: parceiro de longa data, de tantas coisas, de tanto tempo que me dá certeza de que muito esta por vir... ; ao Gustavo Sudbrack: pelo afeto sincero em que pese gremista doente; ao Nico: o cara mais boa pinta que conheço; ao Ricardo Saabi: hermano distante, mas sempre present no coração. Entre os agradecimentos  não poderia deixar de registrar um especial muito obrigado ao meu cunhado do coração, Fábio, que assou o churrasco primorosamente como sempre; ao meu pai, Aramis Nassif, que entre as muitas coisas que me ensinou nessa vida, a de cultivar amizades certamente jamais será esquecida; e aos meus sobrinhos Gonçalo e Santiago por me anteciparem com tanta doçura o que espero viver com meu filho dentro de bem pouco tempo... Momentos de pura diversão! 

Aos demais que não puderam comparecer, fica o registro de que suas ausências foram sentidas, porque importantes. Mas não tanto ao ponto de amargurar porventura, qualquer sentimento de amizade que nutro por vocês. 

Desejo que o meu filho tenha tanta sorte, quanto eu tive, na escolha de suas amizades..

Um super beijo, P. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

7 Meses...

Einstein estava certo. O tempo é realmente relativo. Estamos no último trimestre da gestação e já começo a sentir falta desses tempos de barriga. Revendo os antigos posts, fiquei impressionado com a dimensão que o blog ganhou. No segundo texto que escrevi, agradeci aos mais de 140 acesos que havia recebido na primeira semana. Hoje passam de 7.000... O blog tem sido acessado por mais de 7 países. Estados Unidos, Portugal, Reino Unido, Alemanha, Costa Rica, Russia entre outros. Fico honestamente lisonjeado com tudo isso e mais uma vez deixo meu muito obrigado à todos vocês! 

Estar acompanhando essa transformação, literalmente do lado de fora, é com certeza algo  mágico. Estou diferente, me sinto diferente e há quem diga que já tenho cara de quem está diferente. Mas descobri que a gravidez, para além do pai e da mãe é uma gestação coletiva. Vejo meus amigos mudando junto conosco. Alguns planejando ter filhos, outros indo morar juntos, alguns revendo seus relacionamentos. Isso vem ao encontro do que penso acerca das pessoas. Mudamos constantemente. Não mudar é a exceção. O problema é que o processo é tão natural que nem percebemos o que e quando isso acontece.

Tenho tentado me manter atento às mudanças que estou passando. O instinto de sobrevivência é o primeiro que me vem à tona. Seja no trânsito, ou em qualquer outro lugar, tenho o pensamento constante de que nada pode me acontecer agora. Não posso me acidentar, ficar doente ou qualquer outra coisa que de alguma forma possa me impedir da necessidade de me manter íntegro para dar o devido suporte ao meu filho e à Karina. Quando ando de carro e ela está do lado, fico 10x mais alerta e defensivo! Devia existir um adesivo que dissesse: CUIDADO!! MULHER GRÁVIDA À BORDO! Hahahah. Esse sentimento de defesa vem junto com a transformação do instinto de responsabilidade. É impossível não pensar ou projetar o futuro profissional e pessoal com muito mais cuidado e zelo... Alguns hábitos mudaram tão naturalmente que nem percebo. Um deles é a vontade de permanecer mais em casa.. Não quer dizer que não tenho levado minha vida o mais normal possível, mas depois do jogo, já não sinto mais aquela vontade de tomar uma cerveja com os amigos... Penso em chegar logo em casa, conversar sobre como foi o dia com a nega e saber como se comportou o filho. Sobre tal comportamento meus amigos (os que não tem filhos) me alertam dizendo que a tendência é piorar... Piorar?! Depende do tipo de pai que você quer ser penso eu. 

Estava pensando esses dias sobre as memórias que tenho do meu pai sendo pai. A primeira delas é a de como ele enrolava suas ataduras para jogar futebol de salão quando morávamos no interior. Ele sempre pedia para que eu e minha irmã gêmea as enrolássemos. Lembro dele me ensinando que eu devia colocar um tanto sobre o joelho até a cintura e depois a dobrasse até ter que puxar mais um pedaço. Isso me chamou atenção porque será exatamente esse tipo de coisa que provavelmente meu filho irá se lembrar de mim. Quais manias de cada um se formará na lembrança mais doce que seu filho terá de vocês? Interessante não é mesmo? O mais simples gesto, pode ser algo que ele levará para sempre na memória. Li dia desses que  somos o que a memória nos revela de nós mesmos. Todos os dias acordamos e lembramos: Eu sou o Samir, advogado e Juiz-Leigo. Casado com a Karina que esta grávida do Bernardo. Meu pai é o Aramis e minha mãe faleceu esse ano. Tenho a Sâmia, Samantha e Sabrina como irmãs e tais amigos, gosto destas músicas, essas roupas, aquelas não e assim por diante... Somos uma eterna repetição de nós mesmos. Nossos hábitos dizem muito sobre nós e certamente dirão alguma coisa sobre nossos filhos. Portanto, cuidado com os hábitos que cultivar... 

Recebemos esses dias um convite para o casamento do meu primo Camilo. Nele estava escrito: Samir Nassif e Família. Rá, sentiram? Família! Viram só como a gestação é um fator universal? As pessoas por igual mudam a concepção que tinham sobre você e sua esposa. Na nossa atual matemática, 1+1=3.

Estamos quase terminando o quarto do Bernardo. A foto acima dá uma ideia de como ele vai ficar. No final das contas, ficamos com o berço "Mega combo 4x1", para minha alegria. Problema é que chega só daqui uns 30 dias. 

Por conta dos preparativos finais para recebermos o filho, tive minha primeira briga realmente feia com a Karina. Isto porque ela não queria admitir que um Helicóptero a controle remoto com câmera de vídeo e luzes de LED, devia necessariamente constar na lista do chá de fraldas! Quem foi que disse que as mulheres ficam mais sensíveis na gravidez??? A minha pelo jeito, ganhou um filho na barriga e um paralelepípedo no lugar do coração! Hahahahah

Aliás, foi nesse dia no Shopping que pude assistir umas das cenas mais lindas entre um pai e um filho. O guri estava segurando com uma mão um copo de suco quando deixou esse cair. A criança começou a chorar pedindo desculpa para o pai que de pronto virou para o filho e lhe disse: Não tem problema meu filho, eu sei que tu não fez por querer. Aquele pai então deu um abraço no filho tão terno, tão puro, tão sincero que não havia como não se emocionar. O filho, era um rapaz com necessidades especiais e devia beirar os 30 anos... Para além do abraço, aquele pai deu para o filho absolutamente tudo que ele precisava naquela hora. Segurança, compreensão, carinho e amor. Honrou com louvor o encargo paternal como poucos fazem hoje em dia. Ele não teve vergonha da sujeira do filho, ou do que os outros poderiam pensar a respeito. Não teve medo de abraçar o filho, não exitou em lhe dar apoio mesmo sabendo que ele havia feito uma lambança. Foi divino. Não sei se o fato me chamou atenção por ter pensado muito nisso no início da gravidez. A dúvida que paira sobre a saúde do filho e se ele esta tendo um desenvolvimento normal são realmente agoniantes. Não sei como me sairia se tivesse um filho com necessidades especiais. Projeto tanto tantas coisas que desejo fazer com meu pequeno que isso nunca me passou pela cabeça. Mas por certo que se pudesse escolher, gostaria de ser aquele cara. Foi uma lição e tanto. 

Fico por aqui hoje pessoal. Mais pai do que ontem e menos do que amanhã...

Um beijão, P. 

P.S. Votem na nova enquete!