Sou a favor da democracia. Não tenho como fazer todas as escolhas do meu filho(a), mas uma é inegociável: o Colorado será seu time do coração. No entanto, não pretendo impor essa vontade minha, forçar uma paixão ou obrigá-lo a gostar do mesmo time que faz parte da minha família há décadas. Digo décadas sem exagero. Meu avô foi sócio fundador do beira-rio. Temos um título datado do ano de 1967 (o estádio foi fundado em 1969), concedendo ao vovô um lugar junto à Tribuna de Honra do beira. "Cadeira perpétua e hereditária" é o que esta escrito na flâmula que acompanha esta jóia familiar.
No entanto, o que posso fazer, como bom negociador, é cativar meu cliente. Tratá-lo sempre bem, seduzi-lo, dar-lhe motivação para que "espontaneamente" escolha conforme suas convicções. Vou muito aos jogos do colorado. Posso ir sozinho até, que sempre encontro meus amigos: a parte colorada do Deportivo de Porto Alegre, o Inezil, Humberto, Osni e cia, os meus irmãos Guilherme Noll e Leitão, etc, etc. Estar no beira-rio, é nunca estar sozinho! Mas nada se compara com a emoção de assistir um jogo ao lado do seu progenitor. Lembro-me de todos os jogos que meu já preguiçoso pai, me deu a honra de sua presença. Tive o privilégio de ver meu time sagrar-se bi-campeão da América ao lado dele. "Para todo o resto existe Mastercard..."
Então, uma das formas que pensei de seduzir meu pequeno, foi essa da foto acima. Acreditem, essa camisetinha autografada pelo Guinazu, Damião e Oscar, tem arrancado lágrimas de muita gente. Eu particularmente ando com ela no carro. Não decidi ainda se vou dar de presente pro bebê, se vou enquadrar ou se vou dar para o bebê e depois enquadrar... Mas que a camiseta ficou demais, ficou!
Depois da notícia que vou ser pai, tenho ficado muito reflexivo sobre como vou educar minha criança. E confesso que percebi que errei na participação da criação dos meus sobrinhos. Lembro que quando eles ainda não entendiam o que era ser colorado ou gremista, me reportava ao time adversário como sendo algo ruim, fazia cara feia e dizia que aquilo era meleca! Deu certo, todos são colorados. Mas não lhes dei a motivação correta. Tenho grandes amigos gremistas: o Tiago Cabral, o Quinho, o Tiago Dias, o dindo Diego e a minha estagiária Amanda não são nada perto dos pejorativos que utilizei com meus sobrinhos para que torcessem pelo colorado. Pelo contrário!
Assim, começo aqui a corrigir meu erro. Espero que meu filho faça sua escolha, mas respeite o diferente. Que ele deixe a animosidade para dentro do campo. Que aprenda a torcer pelo seu time e que isso não signifique tratar os demais como inimigos. Que seja humilde na vitória e na derrota. Enfim, desejo que seja um colorado feliz, sadio e campeão!
Beijos, Paizão.